Desde 2014, quando o País entrou oficialmente em recessão, o total de trabalhadores com pelo menos dez anos de estudo e que abandonaram a busca por uma vaga no mercado passou de 394 mil para 1,66 milhão. Isso quer dizer que mais de 1,27 milhão de trabalhadores bem qualificados, em plena idade produtiva, caíram no desalento de 2014 até setembro do ano passado, pelos números da pesquisa divulgada pelo IBGE.
Segundo especialistas, esse movimento é ruim porque indica que mesmo as pessoas com maior qualificação estão pessimistas sobre o mercado de trabalho. Um dos motivos para esse desânimo é que, na saída da recessão, as vagas de emprego criadas são, em sua maioria, de baixa remuneração, muitas vezes informais. São pessoas mais qualificadas e com um padrão de vida melhor, que desistiram em algum momento de procurar emprego.
Por estarem em uma situação mais frágil no mercado de trabalho, ganharem menos e estarem mais sujeitos a perder o emprego, os brasileiros com menor formação ainda são a maioria em situação de desalento, mas a presença deles entre os que desanimaram de procurar uma vaga caiu de 73%, no terceiro trimestre de 2014, para 65% no terceiro trimestre do ano passado.
*Com informações do Estado de Minas e IBGE