Mães relatam dificuldade para proteger crianças em jogos, redes sociais e espaços de convivência
A rotina de mães que trabalham enquanto criam filhos tem sido atravessada por novos desafios, que vão desde o controle do uso de tecnologias, até o medo constante relacionado à segurança das crianças. Em meio a esse cenário, relatos mostram que educar exige hoje mais negociação, vigilância e equilíbrio emocional diante de uma realidade considerada mais complexa do que a de gerações anteriores. A avaliação é da secretária-adjunta de Desenvolvimento Social, Anna Maia, e a coordenadora de Políticas Públicas para Mulheres de Uberaba, Fernanda Mendes.
Durante entrevista à Rádio JM, Fernanda Mendes destaca que, mesmo com ferramentas de controle parental, não é possível garantir total proteção dos filhos, especialmente no ambiente digital. Segundo ela, o acompanhamento precisa ser constante e próximo, já que os riscos estão presentes em jogos, aplicativos e redes sociais. “Eu não tenho segurança de falar que ele está 100% protegido. A gente acompanha, controla, mas eles vão crescendo, aprendem a mexer e a gente precisa estar sempre presente, olhando, escutando, tentando orientar”, afirma.
Além da internet, a insegurança também se estende ao ambiente escolar e ao convívio social. Situações de violência, bullying e até ameaças em escolas têm gerado apreensão entre os pais, que relatam viver em estado de alerta constante. “Você não se sente 100% segura nem em casa. A gente tem medo de tudo: da violência, do que pode acontecer na escola, do que o próprio filho pode sofrer ou até fazer. É uma preocupação o tempo inteiro”, diz Anna Maia.
Outro ponto destacado é a pressão social enfrentada pelas mães na definição de limites. De acordo com Fernanda, a comparação entre famílias e a necessidade de justificar decisões tornam o processo mais desgastante. Ambas apontam que a presença ativa dos pais e o diálogo constante são estratégias fundamentais para enfrentar os desafios da criação. Ainda assim, reconhecem que não há fórmulas prontas e que a maternidade, hoje, é marcada por incertezas e pela necessidade de adaptação contínua.