A sexta-feira 13 é cercada de mistério e considerada azarada por muitas pessoas. A combinação do número, historicamente associado à desordem, com a sexta-feira, tradicionalmente vista como dia de más energias, desperta tanto precaução quanto curiosidade cultural. Para o professor de história Reniel Avelar, a fama da data tem origem em tradições antigas, relatos históricos e na popularização feita pela literatura e pelo cinema.
Reniel observa. “A sexta-feira 13 é um caso clássico de como história, religião e cultura pop se misturam. O que começou como receio em sociedades antigas ganhou força com narrativas literárias e cinematográficas, tornando-se parte do imaginário coletivo que atravessa gerações”, afirma.
A associação do número treze com má sorte já aparece em diversas culturas. O professor explica que, na mitologia nórdica, o número era visto como símbolo de desequilíbrio. Outras civilizações, como a chinesa, também evitavam o 13 em sistemas simbólicos, preferindo o número doze, presente no horóscopo tradicional.
No cristianismo, a ligação entre o treze e a sexta-feira ganhou força a partir da Última Ceia. “Judas, o apóstolo que trairia Jesus, foi o décimo terceiro participante da ceia. Além disso, a crucificação de Jesus ocorreu numa sexta-feira, reforçando a ideia de que a data poderia trazer eventos trágicos”, detalha Reniel.
O imaginário em torno da sexta-feira 13 também ganhou corpo na Idade Média. Segundo Reniel, uma das histórias mais conhecidas envolve o rei francês Filipe IV, que prendeu os Cavaleiros Templários e confiscou seus bens justamente em 13 de outubro de 1307, data que caiu numa sexta-feira. Episódios como esse ajudaram a consolidar a ideia de azar associada ao dia e ao número.
Ainda conforme o professor, o 13, frequentemente tratado como “amaldiçoado”, também carrega significado simbólico e matemático. “Por ser ímpar e primo, divisível apenas por um e por si mesmo, é associado à ruptura de equilíbrio, em contraste com o número doze, que simboliza ordem e completude”, ressalta.
Apesar da reputação de azar, a sexta-feira 13 nem sempre é vista negativamente ao redor do mundo. “Na Grécia, por exemplo, o dia de má sorte é a terça-feira 13, ligada ao deus Marte, símbolo da guerra e destruição. Isso mostra que o medo é culturalmente construído e varia conforme a tradição local”, afirma.
Hoje, a sexta-feira 13 é mais encarada como curiosidade do que como risco real. “Ainda há pessoas que levam esse medo muito a sério, mas isso já é mais ligado à fobia do que a fatos concretos”, explica o professor, citando a parascavedecatriafobia, o medo intenso da data. “Para a maioria, a data é motivo de histórias, filmes e memes, não de superstição concreta”, completa.
Reniel Avelar observa que é fascinante como um número e um dia da semana conseguiram atravessar séculos e culturas, permanecendo vivos na imaginação popular. Para ele, a sexta-feira 13 se tornou mais do que superstição, funcionando como um fenômeno cultural que mistura história, religião e entretenimento, despertando fascínio, medo e curiosidade.