FILME DARK HORSE

Dino cita possível ligação com PCC ao tirar sigilo de investigação sobre ‘Dark Horse’

Ministro do STF apontou que investigação sobre supostos desvios de recursos públicos envolvendo emendas e contratos da Prefeitura de São Paulo pode ter relação com facção criminosa

Publicado em 13/09/2026 às 14:09
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O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou neste domingo (13) a quebra do sigilo de uma frente investigativa relacionada ao filme “Dark Horse” e mencionou a hipótese de que o esquema investigado possa ter vínculos com o Primeiro Comando da Capital (PCC).

Dino liberou documentos que tratam, entre outros pontos, do suposto direcionamento de recursos de emendas parlamentares para entidades ligadas à produção da cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A investigação estava sob responsabilidade da Justiça de São Paulo e foi encaminhada ao STF.

Na decisão, o ministro afirmou que, no decorrer das apurações, teria se fortalecido a hipótese de uma ligação entre um suposto esquema de destinação e desvio de recursos públicos e contratos associados à Prefeitura de São Paulo.

Segundo Dino, a linha investigativa mencionada nos autos aponta que a suposta organização poderia alcançar vínculos com o PCC. A decisão também cita o deputado federal Mário Frias (PL-SP), que, no campo das hipóteses investigadas, teria exercido um papel de liderança na suposta estrutura criminosa.

A investigação era supervisionada pela Vara Criminal de Garantias de Organizações Criminosas e Lavagem de Bens, Direitos e Valores de São Paulo e conduzida pela Polícia Civil do estado.

Material será encaminhado à Polícia Federal

Além de retirar o sigilo dos documentos, Dino determinou que a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo entregue à Polícia Federal todo o material bruto extraído dos celulares dos investigados, inclusive arquivos cuja perícia ainda não tenha sido concluída.

A decisão determina ainda que celulares, computadores e documentos apreendidos sejam transferidos para a custódia da PF.

A Polícia Civil investigava a produtora Go UP Entertainment por suspeita de desvio de recursos de contratos firmados entre o Instituto Conhecer Brasil (ICB) e a Prefeitura de São Paulo para financiar a produção de “Dark Horse”.

A Go UP Entertainment e o ICB são administrados por Karina Gama e possuem o mesmo endereço físico na capital paulista.

Emendas de R$ 2 milhões

Um dos motivos para o caso ter sido levado ao STF é a menção ao deputado federal Mário Frias, que possui foro privilegiado. Segundo a Polícia Federal, o parlamentar teria destinado R$ 2 milhões em emendas parlamentares ao ICB.

A PF investiga, desde junho, se recursos de emendas indicadas ao instituto teriam sido utilizados para financiar a cinebiografia de Bolsonaro.

Mário Frias, que foi alvo de buscas da PF, negou qualquer irregularidade e classificou a operação como uma “cortina de fumaça” em período eleitoral. Segundo o deputado, os R$ 2 milhões foram destinados a projetos esportivos e de letramento digital voltados a crianças, jovens e adolescentes.

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