T-REX

Pegadas de 66 milhões de anos revelam, pela 1ª vez, trilha de um T. Rex adulto

Rastro de 66,5 milhões de anos tem quatro pegadas de cerca de um metro cada e permite estimar como o dinossauro caminhava

Publicado em 13/09/2026 às 14:17
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 (Foto/Tyler Lyson/Divulgação)

(Foto/Tyler Lyson/Divulgação)

Pesquisadores do Museu da Natureza e Ciência de Denver, nos Estados Unidos, e da Universidade John Moores de Liverpool, na Inglaterra, encontraram, pela primeira vez, uma sequência de pegadas atribuídas a um exemplar adulto de Tyrannosaurus rex.

O famoso dinossauro, um dos maiores predadores que já existiram, é conhecido por diversos fósseis do Cretáceo Superior encontrados na Formação Hell Creek, no estado de Dakota do Norte, nos Estados Unidos. No entanto, esta é a primeira trilha identificada do animal, que viveu até o final do período Cretáceo.

Os achados foram divulgados na terça-feira (8) pela revista Journal of Vertebrate Paleontology.

Com idade estimada em 66,5 milhões de anos, o rastro contém quatro pegadas, de aproximadamente um metro cada. São duas marcas do membro direito e duas do esquerdo, formando uma sequência de cerca de sete metros de extensão.

Segundo os pesquisadores, a atribuição a um T. rex adulto é possível porque a espécie já é conhecida na região, além do padrão tridáctilo, com três dedos, observado nas pegadas e da distância entre elas. Apesar disso, o estado de preservação dos vestígios impede uma descrição mais detalhada das características.

“Estamos bem confiantes que os vestígios eram deste animal”, afirmou Tyler Lyson, curador sênior de paleontologia de vertebrados do Museu da Natureza e Ciência de Denver e coordenador da pesquisa.

Pegadas isoladas que poderiam pertencer a T. rex já haviam sido identificadas anteriormente, mas esta é a primeira vez que paleontólogos descrevem uma sequência de várias marcas deixadas pelo famoso dinossauro.

Os rastros criaram depressões profundas no sedimento fino da formação, que posteriormente foram preenchidas por água altamente carbonatada. O processo levou à formação de concreções na rocha, contribuindo para a preservação das impressões.

Para Lyson, esse tipo de preservação pode ajudar na descoberta de outras trilhas de dinossauros. Segundo o pesquisador, paleontólogos de vertebrados costumam ser treinados principalmente para procurar ossos fósseis, e a identificação desse processo pode ampliar a busca por rastros preservados.

As pegadas foram encontradas em 2025 em uma área protegida federal administrada pelo Serviço Florestal dos Estados Unidos, nas proximidades de Marmarth. O local fica aproximadamente 33 metros abaixo do limite entre as formações Hell Creek e Fort Union, próximo à camada geológica que marca a extinção em massa ocorrida há cerca de 66 milhões de anos.

Naquele período, os Tyrannosaurus rex, assim como outros dinossauros não aviários e vertebrados terrestres com mais de 40 quilos, foram extintos.

Tecnologia permitiu análise em 3D

A equipe utilizou técnicas de escaneamento digital feitas no próprio local para produzir imagens tridimensionais das pegadas. O recurso permitiu uma análise detalhada dos vestígios mesmo à distância.

Peter Falkingham, professor de paleobiologia da Universidade John Moores de Liverpool e primeiro autor do estudo, conseguiu analisar as pegadas sem ter estado pessoalmente no local.

Com as reconstruções em 3D, os cientistas calcularam a distância entre as marcas, o comprimento das pegadas e possíveis características biológicas do animal.

Segundo os pesquisadores, o dinossauro se deslocava a uma velocidade estimada entre 1,5 e 2 metros por segundo, o equivalente a aproximadamente 5,4 km/h a 7,2 km/h. A velocidade é compatível com estudos recentes sobre a locomoção do T. rex, embora também não seja incompatível com outros tiranossaurídeos de grande porte.

Nova pegada já foi encontrada

Os pesquisadores afirmam que novas escavações podem revelar outras características anatômicas dos pés e da locomoção do animal, além de possíveis informações sobre seu comportamento durante o deslocamento.

Uma quinta pegada já foi identificada durante novas atividades de campo realizadas no verão deste ano, segundo Lyson.

Há, porém, um desafio para futuras escavações. A posição das pegadas na camada de rocha indica que o início ou a continuação da trilha pode ter sido comprometido pela compressão do sedimento.

Ainda assim, a equipe pretende remover pelo menos três das pegadas do local. Devido ao tamanho e à fragilidade do material, a retirada deverá ser feita com o auxílio de helicópteros.

Os vestígios serão transportados para o Museu da Natureza e Ciência de Denver, onde deverão passar por preparação e, posteriormente, ser expostos ao público.

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