Alexandre Mota/O Tempo
Minas Gerais tem 488 trechos em rodovias federais sem concessão à iniciativa privada que deveriam receber ao menos um equipamento de fiscalização de velocidade. O número de radares leva em consideração os riscos de acidentes. Além disso, vale lembrar que Minas Gerais tem a maior malha rodoviária do Brasil e, em todo o país, são 265 aparelhos operando. Os dados são provenientes de levantamento feito pela área técnica do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), em abril deste ano, e entregue à Justiça Federal. Discurso recente do presidente Jair Bolsonaro (PSL), no entanto, vai na contramão da pesquisa, ao anunciar retirada de radares de rodovias federais para acabar com o que ele chamou de “indústria da multa”.
O levantamento do Dnit ainda aponta a necessidade de 4.000 equipamentos de fiscalização. A juíza Diana Wanderley suspendeu liminarmente a retirada de radares até que o governo possa comprovar que a mudança na política não reduzirá a segurança nas estradas. E é justamente por isso que o levantamento foi realizado.
O Dnit fez um comparativo entre a quantidade de acidentes ocorridos antes e depois da instalação de cada equipamento de fiscalização de velocidade. No Brasil, com os radares instalados, houve queda de 20%, passando de 44.977 para 35.810 acidentes. Em Minas os números são ainda maiores: houve redução de 29% das tragédias nas vias federais não concedidas, passando de 4.779 para 3.390 – ou seja, 1.389 acidentes a menos.
E o trecho mineiro com maior incidência de acidentes registrados, controlado por radar, está bem perto de nós, na BR-050, KM 70,3, em Uberlândia. O equipamento está instalado desde junho de 2013 e nos doze meses que antecederam a instalação haviam sido registradas 91 tragédias; no ano seguinte, foram 80 (12% de queda).
*Com informações do jornal O Tempo.