O Banco Central (BC) divulgou, na semana passada, a ata referente à reunião do Comitê de Política Monetária (Copom)
O Banco Central (BC) divulgou, na semana passada, a ata referente à reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), quando a Selic foi elevada em 0,5 ponto percentual para 8% ao ano. Para especialistas, a ata indica que o ciclo de alta de juros deve continuar e com o mesmo ritmo. Segundo o Copom, o nível elevado de inflação e a dispersão de aumentos de preços contribuem para que a inflação mostre resistência e pode influenciar a obtenção de crédito para consumidores. No entanto, financeiras que oferecem crédito pessoal e financiamento ainda não alteraram as tabelas de juros.
O economista Sérgio Silva Martins explica que a decisão do governo em elevar a taxa visa a combater a inflação, que somente agora começa a dar sinais de desaceleração, mas ela está apenas diminuindo o ritmo de crescimento, e não caindo como era a projeção. “O governo utiliza a política monetária ou de juros através da chamada taxa Selic, para inibir a inflação. Toda vez que sobem os juros, uma das intenções é conter o consumo, porque se há menos consumo, haverá menos impacto na inflação”, frisa.
Ainda, segundo Sérgio Martins, outro objetivo da alta nas taxas de juros é influenciar a obtenção de crédito. “Com isso, o crédito acaba ficando mais caro para todos, tanto para empresários, apesar de os juros para empresas que tomam créditos serem mais baixos do que para pessoa física, como para o consumidor em geral que vai tomar um dinheiro no banco um pouco mais caro. Esse aumento de 0,5% que ocorreu vai representar mais ou menos o mesmo percentual nas taxas de juros que são cobradas do consumidor, mas a concorrência entre uma financeira e outra vai fazer com que não haja grande impacto. Em algumas outras operações, é possível que suba até mais que isso”, alerta o economista.
Na avaliação do especialista, esse aumento só vai ser notado quando o consumidor sentir que os juros estão caros para o empréstimo destinado ao pagamento do que é consumo. “Para aquilo que é investimento, todo mundo vai continuar tomando emprestado. Por exemplo, quem está pretendendo construir, reformar ou adquirir outro imóvel, ou mesmo fazer uma ampliação na fábrica, no caso de empresas, nada muda. Os juros neste caso não mudarão, por ser para investimento. Já para aquela pessoa que pretende fazer um gasto, como comprar um carro, o dinheiro será usado para o consumo, então deverá pensar duas vezes”, completa.