ELEIÇÕES 2026

Efeito Trump na eleição de 2026 impulsiona voto em Lula e pressiona Flávio Bolsonaro

Para 43% dos brasileiros, Lula saiu mais forte após encontro com Trump na Casa Branca, mostra pesquisa Quaest divulgada na quarta-feira (13/5)

Ana Paula Ramos/O Tempo
Publicado em 14/05/2026 às 17:19Atualizado em 14/05/2026 às 18:25
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BRASÍLIA - O papel do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na eleição presidencial brasileira tem crescido e pode impactar no resultado da disputa, conforme indicam pesquisas de opinião recentes.  

Pesquisa Quaest divulgada na quarta-feira (13/5), por exemplo, mostra que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conseguiu capitalizar a visita à Casa Branca na semana passada. No novo levantamento, Lula lidera a pesquisa de intenção de votos para a Presidência da República, com 39%, contra 33% do senador Flávio Bolsonaro (PL), no primeiro turno. 

O encontro entre Lula e Trump no último dia 7 é apontado também pelo diretor da Quaest, Felipe Nunes, como um dos fatores na melhora da aprovação do governo petista e na virada do presidente na corrida pelo quarto mandato presidencial.   

A pesquisa revelou que 43% dos entrevistados consideram que o petista saiu mais forte dessa reunião com Trump, e só 26% consideram que ele saiu mais fraco. Na amostra, 13% acham que ele saiu com a mesma força e 18% não souberam opinar. 

A boa relação de Lula com Trump é apontada como uma das grandes “reviravoltas” da política nos últimos anos e começou quando o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) se mudou para os Estados Unidos, em fevereiro de 2025.  

O então parlamentar buscava sanções contra o Brasil e autoridades brasileiras como forma de pressão no inquérito que investigava uma tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022 e que apontava o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) como líder dessa trama golpista. 

Alinhado ideologicamente a Jair Bolsonaro, Donald Trump anunciou em julho de 2025 uma taxa de importação de 50% sobre os produtos brasileiros.  

Em carta enviada a Lula na época, o presidente norte-americano citou o processo contra Bolsonaro  e criticou o Supremo Tribunal Federal (STF), alegando "perseguição política, intimidação, censura e processos contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e milhares de seus apoiadores". 

"Nós poderemos, talvez, considerar um ajuste nesta carta. Essas tarifas podem ser modificadas, para cima ou para baixo, dependendo do relacionamento com seu país. O senhor nunca ficará decepcionado com os Estados Unidos da América", afirmou Trump, no comunicado.   

Dias antes, o chefe da Casa Branca havia afirmado que Bolsonaro era alvo de uma “caça às bruxas”. 

Além do tarifaço, o governo dos EUA revogou vistos e aplicou a Lei Magnitsky — legislação que prevê sanções a pessoas acusadas de violação de direitos humanos — contra o ministro do STF Alexandre de Moraes, relator do processo da tentativa de golpe.  

Governo Lula adota defesa da soberania como mote

O presidente Lula, no entanto, não abaixou a cabeça diante das ameaças de Donald Trump e adotou um discurso em defesa da soberania do Brasil. “Não é uma intromissão pequena. É o presidente da República dos EUA achando que pode ditar regras a um país soberano como o Brasil”, afirmou o petista, em uma entrevista na época. 

Ainda em julho, a popularidade de Lula deu sinais de recuperação após o tarifaço de Trump. 

O governo também adotou, em agosto de 2025, o slogan: "Governo do Brasil, do lado do povo brasileiro" e divulgou uma campanha institucional em vários veículos como estratégia de enfrentamento ao que considerou interferências indevidas dos EUA em assuntos nacionais. 

Em setembro do ano passado, um mês após o lançamento da nova campanha, pesquisa Quest mostrou que, para 64% dos brasileiros, o governo do presidente Lula agia de forma correta ao defender a soberania do Brasil em meio às sanções aplicadas pelos Estados Unidos. 

No dia 23 de setembro, Donald Trump se encontrou brevemente com o presidente Lula, nos bastidores da 80ª Assembleia Geral da ONU, em Nova York. Em seu discurso, Trump relatou que teve uma "química boa" entre ele e Lula e que os dois combinaram de se encontrar.

Em seguida, Trump e Lula conversaram, por telefone, no dia 6 de outubro e iniciaram as tratativas para um encontro no final do mês na Malásia. A reunião ocorreu no dia 25 de outubro e ficou acertada que as equipes se reuniriam “para avançar na busca de soluções para as tarifas e as sanções contra as autoridades brasileiras". 

Desde então, o Brasil já reverteu parte das tarifas impostas aos produtos brasileiros, conseguiu cancelar a aplicação da Lei Magnitsky contra Moraes e tiveram mais um encontro no último dia 7 de maio, com a previsão de novas reuniões. 

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