INMET aponta mais de 90% de probabilidade de o fenômeno atingir intensidade muito forte entre setembro e novembro; Sul pode ter mais chuva, enquanto outras regiões devem enfrentar tempo mais seco e temperaturas elevadas
O El Niño que está se formando em 2026 pode alcançar uma das maiores intensidades já registradas desde 1950. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) aponta mais de 90% de probabilidade de o fenômeno se configurar como muito forte no trimestre entre setembro e novembro.
O fenômeno é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Essa alteração interfere nos padrões de circulação atmosférica e pode provocar mudanças nas condições de chuva e temperatura em diferentes partes do mundo.
Desde 1950, três episódios são classificados como El Niño muito forte: 1982-83, 1997-98 e 2015-16. O evento de 1997-98 é um dos mais estudados em relação aos impactos no Brasil.
Os efeitos do El Niño não são iguais em todo o território brasileiro. Para o trimestre de setembro, outubro e novembro, as projeções indicam chuvas acima da média na Região Sul, em parte de São Paulo e em Mato Grosso do Sul.
Por outro lado, áreas do Norte, Nordeste, Centro-Oeste e de outras partes do Sudeste podem registrar volumes de chuva abaixo do normal. As temperaturas também tendem a ficar acima da média em grande parte do país.
O CPTEC/Inpe informa que os modelos climáticos indicam a manutenção das condições de El Niño pelo menos até o primeiro trimestre de 2027.
A intensidade do fenômeno preocupa também pelos possíveis efeitos sobre infraestrutura e serviços essenciais. Períodos de chuva intensa, seca e temperaturas elevadas podem aumentar os riscos de alagamentos, escassez de água, problemas no fornecimento de energia, danos à infraestrutura e impactos na agricultura.
O planejamento das cidades e dos serviços públicos precisa considerar diferentes cenários climáticos, especialmente diante da possibilidade de eventos extremos.
Para o setor elétrico, por exemplo, mudanças no regime de chuva e temperatura podem alterar o comportamento da demanda e aumentar a necessidade de preparação das redes para diferentes condições de operação.
O fenômeno climático costuma ocorrer em intervalos de dois a sete anos e pode durar vários meses. No cenário atual, os modelos acompanhados pelo CPTEC indicam que as condições de El Niño devem permanecer pelo menos até os primeiros meses de 2027.
A previsão, porém, não significa que todos os efeitos já estejam determinados. A intensidade e a distribuição das chuvas e temperaturas podem variar ao longo dos próximos meses, por isso o acompanhamento das atualizações meteorológicas será importante para antecipar possíveis impactos.