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Em cinco anos, cirurgia bariátrica tem crescimento de 47% no Brasil

No SUS as operações ainda são minoria, uma vez que o serviço público só atende os casos mais graves

Publicado em 09/07/2018 às 10:39Atualizado em 17/12/2022 às 11:19
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Já são 105,6 mil cirurgias bariátricas realizadas no Brasil somente no último ano. O número aponta crescimento de 47% em relação ao ano de 2012, quando foram realizadas 72 mil cirurgias, segundo dados da SBCBM (Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica).

O aumento é maior no setor privado, mas, mesmo mais tímido, é considerável o aumento pelo SUS, que faz 9,8% do total de operações e apresentou 16,8% em relação ao último ano e 224% em relação a 2008, segundo o Ministério da Saúde.

No Brasil, quase uma em cada cinco pessoas adultas é obesa (18,9%). A proporção é 60% maior do que o início da série histórica, em 2006. Após sucessivos crescimentos, o índice parece ter estagnado nos últimos três anos. Já o sobrepeso atinge 53,6% da população das capitais e os homens são os mais atingidos.

É considerado obeso quem tem o IMC —índice de massa corpórea, calculado com o peso e altura da pessoa— maior que 40. A cirurgia bariátrica pode ser indicada em casos com IMC a partir de 30 (sobrepeso), a depender da gravidade das doenças relacionadas.

Pelas estimativas da SBCCM, cinco milhões de brasileiros atenderiam aos requisitos para algum tipo de cirurgia bariátrica. Considerando que cerca de são mil cirurgiões habilitados a fazerem o procedimento e desconsiderando mortes e novas indicações, levaria mais de 13 anos para zerar a fila, considerando que eles fizessem uma operação por dia.

Além das complicações e riscos inerentes a qualquer procedimento cirúrgico (1 a cada 1.000 pessoas morrem entre a cirurgia e 90 dias depois, chance semelhante de quem tira uma pedra da vesícula), há o risco de o paciente ter de ser reoperado —nos EUA, país com quase 40% da população obesa, 14% das bariátricas são de “revisão”. Isso mostra como a indicação é fundamental para o sucesso da operação.

“A cirurgia traz inúmeros benefícios, e o preço é o da eterna vigília de uma doença crônica. Outra coisa é que o conselho ‘coma menos e faça mais exercícios’ funciona para evitar a obesidade, mas não para tratar: é como você dizer para alguém que tem câncer de pulmão parar de fumar. A doença não vai a lugar nenhum”, comenta o professor de endocrinologia da Unicamp Bruno Geloneze.

Para Geloneze, há um problema justamente na etapa clínica do tratamento. “De maneira paradoxal, o SUS oferece a cirurgia, mas não os tratamentos não cirúrgicos estruturados, como atendimentos médico, nutricional, psicológico, além de grupos de ajuda e medicações modernas.”

Fonte: Folha de S.Paulo 

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