Foto/ilustrativa
Dados do Censo Escolar apontam que quatro em cada dez escolas de Minas não têm bibliotecas. Esse número corresponde a 6.314 instituições, públicas e particulares, e revela que o Estado está longe de atingir a meta de universalização dos espaços nas redes de ensino, que deveria ser alcançada em 2020.
Ainda segundo dos dados do Censo, as escolas municipais são as mais atrasadas, apenas 42% oferecem o recurso aos estudantes.
A falta de bibliotecários em cidades do interior, o entendimento equivocado do espaço como apenas um local que reúne livros e publicações e a escassez de recursos são algumas das razões apontadas por especialistas para o cenário atual.
Os prejuízos para o aprendizado são vários, incluindo consequências como o analfabetismo funcional e a disseminação de fake news. “Todo o processo pedagógico é afetado sem o estímulo à leitura e à pesquisa”, frisa o diretor estadual do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE), Paulo Henrique Fonseca.
Parte das escolas que não têm biblioteca oferece aos alunos uma sala de leitura. Em todo o Estado são 2.096 instituições nessa situação. Embora os dois termos pareçam falar de um mesmo lugar, que concentra livros, eles possuem conceitos diferentes. No Censo Escolar, realizado pelo Instituto Nacional de Ensino e Pesquisa Anísio Teixeira (Inep), as salas são “espaços reservados aos alunos para consultas, leituras e estudos”. Já as bibliotecas têm definição mais ampla: “geralmente organizado por um bibliotecário, o local dispõe de coleções de livros, materiais videográficos e documentos (em papel, filme, CD, DVD), destinados a estudo, consulta, pesquisa ou leitura”.
Em Minas, há apenas um curso superior presencial de biblioteconomia oferecido por universidade pública: o da UFMG, no campus Pampulha. Uma das soluções para resolver o déficit de bibliotecas no Estado seria, conforme os professores, ofertar graduações a distância (EAD), com formação pela internet.
“É difícil fazer com que uma pessoa saia da capital para poder morar no interior, assim como é complicado alguém que não vive em BH vir fazer quatro anos de curso aqui e depois voltar para a sua cidade. Temos que ter profissionais adequados em todos os lugares”, afirma Eduardo Valadares professor do Grupo de Estudos em Biblioteca Escolar (Gebe) da UFMG.
*Com informações do Hoje em Dia