Em cada dez inadimplentes que contrataram serviço, três disseram que era a única forma que encontraram para limpar o nome
Tipo de crédito que tem se popularizado por meio de propagandas, o empréstimo para negativados é uma alternativa que muitos consumidores inadimplentes recorrem como última saída para honrar compromissos em atraso.
Levantamento feito em todas as capitais realizado pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) revela que 16% dos consumidores que estão ou estiveram com o CPF restrito nos últimos 12 meses admitem ter procurado instituições financeiras que prestam esse tipo de serviço. O percentual sobe para 21% entre os consumidores inadimplentes das classes A e B.
Indagados sobre o porquê de terem contratado esse tipo de empréstimo, que de modo geral, não realiza consultas em serviços de proteção ao crédito, três em cada dez (29%) ouvidos disseram que era a única maneira que eles encontraram para quitar as dívidas. Outros 27% justificaram a rapidez do processo de limpar o nome, ao passo que 25% não conseguiram obter crédito em bancos convencionais.
26% contrataram empréstimo na internet e 95% buscaram informações sobre credibilidade da empresa
A propaganda na televisão, jornais e revistas foi a forma mais comum pela qual os entrevistados tomaram conhecimento desse tipo de serviço, opção mencionada por dois em cada dez (21%) consumidores que recorreram ao empréstimo para negativados. A internet serviu de fonte para outros 21% das pessoas ouvidas, seguida da indicação de amigos e parentes (17%) e panfletagem na rua (16%).
De modo geral, a pesquisa mostra que os consumidores que contrataram o serviço pela internet foram cautelosos na hora de escolher a instituiçã 95% afirmaram ter procurado informações sobre a idoneidade da empresa a fim de evitar fraudes ou golpes. As principais atitudes foram checar se o site da empresa é bem estruturado (40%), buscar informações em bancos a respeito da financeira (38%), checar se há um CNPJ cadastrado em nome da instituição (36%) e verificar se há um telefone comercial para atendimento (34%).
“Em parte dos casos, instituições falsas ou não autorizadas oferecem facilidades fora da realidade de mercado e exigem depósito prévio para liberarem o dinheiro, principalmente em contas de pessoas físicas”, alerta a economista Marcela Kawauti.
23% reconhecem que não pesquisaram opções de linhas de crédito e 50% consideram juros abusivos
O percentual de consumidores cuidadosos, no entanto, diminui quando o assunto é se informar sobre linhas de crédito alternativas. Dentre os entrevistados, 23% reconhecem que não pesquisaram taxas de juros e demais características de outras opções de crédito antes de optarem pelo empréstimo para negativados. O percentual sobe para 44% considerando os inadimplentes de idade acima dos 50 anos. Os que tiveram essa preocupação somam 71% da amostra.
A pesquisa aponta que entre aqueles que compararam as condições antes da contratação, 31% escolheram o empréstimo que oferecia a melhor condição de pagamento, 26% optaram por aquele que oferecia a menor taxa de juros e 22% pelo que disponibilizava o valor exato que o inadimplente precisava para quitar a dívida.
Apesar da burocracia menor, 38% dos entrevistados tiveram de pagar taxas para avaliação de análise de crédito, 88% deram alguma garantia financeira e 50% dos que fizeram comparação entre diferentes linhas de crédito consideraram abusivos os juros cobrados.
Após passarem por todo esse processo de avaliação e concessão de crédito para negativados, 44% dos inadimplentes entrevistados consideraram fácil obter crédito nessas condições, 29% acharam que não é fácil nem difícil e 27% consideram a contratação difícil. Em média, os entrevistados dividiram o empréstimo tomado em 14 prestações, sendo que 21% não estão conseguindo honrar o compromisso em dia, principalmente por falta de controle dos gastos (7%) e perda de emprego (5%).
Quatro em cada dez acham que situação não foi resolvida após empréstimo
A pesquisa ainda revela que nem todos os consumidores que contrataram o empréstimo para negativados conseguiram resolver seus problemas. Em cada dez entrevistados, quatro (43%) admitem que a situação financeira não foi solucionada, sendo que 20% não conseguiram limpar o nome e ainda terão de pagar pelo empréstimo. Os que consideram a solução resolvida somam 51% dos entrevistados.
“Muitos consumidores acreditam que o empréstimo é o único caminho que resta para sair do endividamento e limpar o nome. Porém, se de fato essa for a única opção, recomenda-se que o consumidor troque sempre a dívida atual por outra mais barata, o que nem sempre é viável na modalidade para negativados, que por ser uma operação mais arriscada, cobra juros mais elevados. O consumidor que optar por esse tipo de serviço precisa pesquisar instituições e comparar as taxas cobradas”, orienta a economista Marcela Kawauti.
Fonte: Boa Vista SCPC