Em entrevista ao jornal O Tempo, o especialista em inovação e redes sociais, o professor Arthur Igreja da Fundação Getúlio Vargas (FGV) afirma que a digitalização alterou a forma como as pessoas conformem informação. “De um lado tivemos uma queda abrupta na curadoria, na verificação dos fatos, um trabalho jornalístico. Todo mundo virou repórter hoje. Um influenciador digital para um grupo maior ou menor. Antes, a informação era disseminada por canais muito centralizados: jornal, rádio, TV. Eles eram imbuídos de fazer a verificação”, afirma.
O profissional salienta que a dinâmica mudou nos dias de hoje, com cada vez menos pessoas verificando a veracidade das informações. “As pessoas vão começar a perceber que estão sendo bombardeadas por notícias que ninguém está verificando”, destaca.
Para Arthur, os perfis falsos estão afetando de forma brutal o processo eleitoral. Em sua avaliação, um dos culpados são os algoritmos das redes sociais. “O Facebook, para maximizar as margens, mudou a forma de mostrar conteúdo”, destaca. Arthur Igreja explica que nos dias de hoje a rede mostra uma publicação para pouca gente e, normalmente, para aquelas que já curtem as suas postagens. À medida em que mais pessoas vão curtindo, a postagem aparece para mais e mais pessoas, gerando um engajamento maior.
Na avaliação do professor, os perfis “fakes” foram criados assim que as fábricas de “fake News” perceberam esse comportamento do Facebook, com surgimento inicial na China e Índia, em seguida, foi transformado em robôs.
Arthur Igreja afirma que o Botometer, sistema desenvolvido pela Universidade de Indiana (EUA), que consegue medir se um perfil é falso ou não, apontou que entre os presidenciáveis brasileiros 40% dos seguidores são falsos.
O professor entende que não é difícil identificar os perfis fakes, o complicado são as pessoas saberem diferenciar. Arthur reforça que o consumo de notícia foi alterado nos últimos quatro anos. Com as redes sociais, é cada vez menor o número de pessoas que têm o hábito de verificar o que recebem. “Pega um recorte de notícia, consome, toma aquilo como verdade e tem suas opiniões influenciadas”, analisa.
*Com informações do Jornal O Tempo