CONFLITO DIPLOMÁTICO

EUA pressionam Brasil por cooperação contra facções criminosas

EUA exigem plano contra PCC e CV, envio de presos e compartilhamento de dados, gerando tensão sobre soberania brasileira

Publicado em 13/03/2026 às 11:04
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EUA cobram plano brasileiro contra crime transnacional, incluindo envio de presos e compartilhamento de informações sensíveis, em negociação tensa com Lula. (Foto/Divulgação)

O governo Trump propôs que estrangeiros capturados nos Estados Unidos sejam enviados para cumprir pena em prisões brasileiras, modelo semelhante ao aplicado em El Salvador, na penitenciária de alta segurança Cecot. A medida faz parte de um plano de cooperação em combate a organizações criminosas transnacionais, negociado entre os dois países, e seria anunciada durante a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a Donald Trump. Originalmente prevista para março, a viagem deve ocorrer apenas em abril.

Além disso, os EUA solicitam que o Brasil apresente um plano para enfrentar facções como PCC, CV, Hezbollah e organizações criminosas chinesas no território nacional. Washington também exige que o Brasil compartilhe informações, incluindo dados biométricos, de estrangeiros que buscam refúgio ou status de refugiado, como parte do combate à criminalidade transnacional e controle da imigração irregular.

As demandas americanas são resposta à proposta brasileira de cooperação apresentada anteriormente. O plano do governo Lula incluía quatro pontos principais: intensificar a luta contra lavagem de dinheiro, bloqueando recursos de criminosos brasileiros em paraísos fiscais como Delaware; aumentar o bloqueio de ativos ilícitos nos EUA; reforçar a fiscalização alfandegária e combate ao tráfico de armas que abastece CV e PCC; e ampliar o intercâmbio de informações sobre transações em criptoativos.

O Brasil ainda não aceitou as demandas dos EUA e negocia uma proposta que seja aceitável para ambos os países. O governo brasileiro busca evitar que o CV e o PCC sejam oficialmente designados como organizações terroristas, medida que poderia abrir brecha legal para ações dos EUA em território nacional. Há ainda preocupação com o uso político do tema por grupos bolsonaristas durante a campanha eleitoral.

Desde segunda-feira (9), o presidente Lula participa de reuniões para traçar alternativas à proposta americana, que consideram sensível em termos de soberania. O CV e o PCC já atuam em todos os estados do Brasil, com hegemonia em pelo menos 13 deles, e expandiram suas operações internacionalmente: o CV mantém negócios em ao menos oito países da América Latina, enquanto o PCC está presente em pelo menos 16 nações.

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