Keyla Cristina
Especialista uberabense diz que se a taxa de inflação continuar subindo, valor do novo
salário mínimo não atenderá às necessidades da população
Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2014, enviado pelo Executivo ao Congresso Nacional, propõe salário mínimo para o próximo ano no valor de R$ 719,48, ou seja, reajuste de 6,12%.
Segundo o economista Marco Antônio Nogueira, se a taxa de inflação continuar a subir, esse valor não atenderá às necessidades da população. Ele pontua ainda que o aumento é muito superior ao crescimento do país, que é inferior a 1%, o que deve impactar negativamente na economia.
Marco Antônio opina que os movimentos econômicos recentes estão sendo geridos pelo calendário eleitoral e explica que o acréscimo do mínimo para R$ 719,48 traz algumas repercussões. Boa parte das prefeituras não terá condições de bancar este
número, porque suas receitas de tributos e taxas não acompanham na mesma proporção. Alguns serviços, como odontológicos e médicos, que são regidos pelo mínimo, tenderão a subir. Categorias da iniciativa privada, que também o tomam como base, vão aumentar o custo de produção de alguns produtos, o que irá desembocar em inflação.
“O governo acredita que acrescendo o mínimo, aumenta-se o consumo e, por conseguinte, a produção, bens e serviços, como também a arrecadação. Porém, isso não está acontecendo, haja vista que as famílias estão endividadas”, acrescenta.
Levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) afirma que o brasileiro precisa de muito mais para viver. De acordo com o Departamento, o valor ideal do mínimo seria de
R$ 2.561.47. O economista pondera que, apesar de próximo do necessário, a estimativa é utópica, uma vez que a cesta de produtos analisadas pelo Dieese tem critério padrão diferente do que é pontuado pelo governo.