Enquanto a renda média do branco mineiro é de R$ 2.323 por mês, a dos pretos e pardos é de R$ 1.526
Segundo levantamento realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) com dados de 2018, em Minas Gerais, pretos e pardos recebem 52,3% a menos do que os brancos e representam a maior parte dos desocupados, com 12,2%, contra 8,3% dos brancos. “Percebemos que o quadro tem se arrastado e a situação se repetido ano após ano”, afirma a pesquisadora do IBGE Maria Luiza Toledo.
Enquanto a renda média do branco mineiro é de R$ 2.323 por mês, a dos pretos e pardos é de R$ 1.526. Conforme a pesquisa, a diferença expõe a vantagem dos brancos sobre os negros tanto no alcance de um padrão de vida melhor quanto na manutenção desse padrão, muitas vezes, herdado. Em Minas Gerais, o salário dos brancos é 49,8% maior nas ocupações formais e 43,2% nas informais.
O presidente do Conselho Regional de Economia de Minas Gerais (Corecon-MG), Paulo Roberto Bretas fala sobre a questão.
“Se você der uma volta na cidade e reparar os catadores, que têm uma condição de renda pior, por exemplo, verá que a imensa maioria é preta e parda. As pessoas em situação de miserabilidade também. O Estado falhou drasticamente na missão de levar justiça social e dignidade para o cidadão negro depois da libertação dos escravos. E continua falhando”, critica o economista.
Mulheres negras recebem menos ainda
Quando o gênero também é levado em consideração, a pesquisa do IBGE mostra um verdadeiro abismo entre os homens brancos, que têm a maior renda, e as mulheres negras, com a pior. Quando os rendimentos são confrontados, elas recebem 56,6% a menos na mesma função em Minas Gerais. O índice é 13,2 pontos percentuais maior do que a média nacional.
“Mais uma vez, a pesquisa mostra que o homem branco é mais beneficiado e as mulheres negras mais prejudicadas”, diz a pesquisadora do IBGE, Maria Luíza Toledo.
*Com informações do Hoje em Dia