A bolsa de valores brasileira abriu a semana em forte baixa após a definição do segundo turno da eleição presidencial. Nesta segunda-feira (26/10), o Ibovespa, principal índice da B3, chegou a recuar mais de 17% logo nas primeiras horas de pregão.
Por volta das 11h30, o índice marcava queda de 17,22%, aos 169.957 pontos. Já na casa do meio-dia, o recuo era de 15,54%, com 173.215 pontos.
O movimento foi uma reação dos investidores à vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL), decidida nas urnas no domingo (25/10).
Logo no início das negociações, a queda superou 10% e levou a B3 a acionar o chamado circuit breaker, mecanismo que interrompe temporariamente os negócios em momentos de forte oscilação do mercado. As operações ficaram suspensas por 30 minutos.
Durante a interrupção, ficam paralisadas as negociações de ativos, derivativos e títulos de renda fixa privada. Foi a primeira vez que o recurso foi utilizado na bolsa brasileira desde março de 2020, no auge da pandemia do coronavírus.
As regras do circuit breaker preveem diferentes etapas: uma queda de 10% em relação ao fechamento anterior suspende as operações por 30 minutos; se o recuo atingir 15% após a reabertura, a pausa passa a ser de uma hora; e, caso a baixa chegue a 20%, a própria B3 define um novo período de suspensão.
No mercado de câmbio, o dólar também disparou. Por volta das 12h, a moeda norte-americana avançava 9,29%, cotada a R$ 5,4568. No pico do dia, chegou a R$ 5,6048.
O desempenho desta segunda-feira apagou os ganhos registrados após o primeiro turno. Na ocasião, Flávio Bolsonaro havia largado na frente, com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula.
No pregão seguinte àquela votação, o Ibovespa havia subido 7,7% e alcançado 206.911 pontos, recorde em termos nominais e reais. O dólar caíra 4,11%, a R$ 5,001 — a maior baixa de fechamento desde 2018.
Segundo o texto-base, a reação positiva após o primeiro turno refletia a aposta de parte dos investidores em uma vitória de Bolsonaro, que defendia um ajuste fiscal mais severo e chegou a chamar o corte de gastos de "tesouraço".
Com a confirmação da permanência de Lula no comando do Executivo, cresceu entre os agentes do mercado o receio de que o governo não adote medidas consideradas suficientes para equilibrar as contas públicas.