O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) identificou indícios de irregularidades em um produto de crédito consignado do Banco Master, chamado M Fácil Consignado, que até recentemente não estava no foco das investigações internas do órgão.
De acordo com o INSS, contratos do produto apresentam problemas como duplicidade de nomes no mesmo documento, ausência de informações sobre juros cobrados e falta de assinatura que permita confirmar a autorização do beneficiário.
Segundo o presidente do INSS, Gilberto Waller Júnior, o M Fácil funciona de forma semelhante ao Credcesta, cartão de benefício consignado criado em 2018 por Augusto Lima e posteriormente incorporado ao Banco Master, onde ele se tornou sócio de Daniel Vorcaro.
Inicialmente voltado a servidores públicos estaduais e municipais, o Credcesta passou a ser oferecido também a aposentados e pensionistas do INSS. A avaliação do órgão é de que a operação ocorre sem respaldo legal e pode incluir cobrança de juros sobre juros.
Diante das irregularidades e da falta de transparência nos contratos, o INSS determinou o cancelamento dos contratos do Credcesta. A autarquia também abriu investigação para apurar a dimensão da atuação do M Fácil entre clientes do Banco Master.
A identificação das irregularidades foi feita em parceria com a Controladoria-Geral da União (CGU), e os casos com indícios de fraude podem ser encaminhados para investigação criminal.
Em nota, a defesa de Daniel Vorcaro afirmou que o Banco Master seguiu todas as normas do INSS para concessão de crédito consignado, incluindo identificação do contratante e comprovação de consentimento.
O acordo de cooperação técnica que permitia ao banco operar linhas de consignado do INSS entre 2020 e 2025 não foi renovado, após o surgimento de suspeitas de fraudes e da crise financeira da instituição. Na prática, o banco foi descredenciado para operar esse tipo de crédito.
O Banco Central decretou a liquidação do Banco Master em novembro. Já Daniel Vorcaro e Augusto Lima foram presos pela Polícia Federal durante investigação sobre fraudes na venda de carteiras de crédito ao Banco de Brasília (BRB). Vorcaro voltou a ser detido nesta semana em nova fase da Operação Compliance Zero, que apura a atuação de um grupo suspeito de monitorar e intimidar adversários.