Psicólogo explica sinais que podem indicar sofrimento emocional e necessidade de ajuda
O fim de setembro não encerra a necessidade de falar sobre saúde mental e prevenção ao suicídio. Para o psicólogo Sérgio Marçal, da Coordenação de Saúde Mental da Secretaria Municipal de Saúde de Uberaba, campanhas como o Setembro Amarelo ajudam a colocar o tema em evidência, mas o cuidado precisa fazer parte da rotina durante todo o ano.
Em entrevista ao programa Pingo do J, da Rádio JM, o especialista afirma que o período de conscientização deve ser um ponto de partida para ampliar a atenção ao sofrimento emocional. “Os meses coloridos são, na verdade, um chamariz para o que deve acontecer o ano todo”, ressalta.
Um dos principais pontos de atenção, segundo Sérgio, são mudanças que fogem do comportamento habitual da pessoa. Alterações na rotina, no humor e na convivência podem aparecer antes mesmo de alguém falar diretamente sobre o que está enfrentando.
Entre os sinais estão irritabilidade, mudanças no apetite e no sono, isolamento e afastamento de atividades que antes faziam parte da rotina. “Você começa a perceber mudanças no comportamento, na rotina, na irritabilidade, no humor, na alimentação, no sono. A pessoa começa a se isolar, não quer mais sair com a família, não quer mais participar das coisas”, explica.
O ponto de atenção é perceber quando essas mudanças representam uma alteração em relação ao comportamento habitual daquela pessoa. Familiares e amigos podem ajudar nesse processo, já que quem está passando por sofrimento emocional nem sempre consegue identificar sozinho que precisa de ajuda.
Para o psicólogo, a atenção à saúde mental não deve começar apenas quando uma situação chega ao limite. Conversar e estar presente podem ajudar a identificar mudanças e facilitar a procura por atendimento.
Sérgio também destaca a importância do diálogo dentro das famílias, especialmente com crianças e adolescentes, que podem apresentar mudanças na convivência, na rotina e no comportamento. O Ministério da Saúde orienta que pessoas em sofrimento sejam ouvidas sem julgamento e incentivadas a buscar ajuda profissional. Em situações de risco imediato, a recomendação é procurar atendimento de emergência e não deixar a pessoa sozinha.
A procura por apoio emocional também aparece nos números do Centro de Valorização da Vida (CVV). Reportagem publicada pelo Jornal da Manhã no último domingo (27) mostrou que o telefone 188 registrou 745.848 ligações atendidas no primeiro semestre de 2026.
O levantamento mostrou ainda que a procura varia conforme o dia e o horário. O CVV informou que a demanda pode ser maior durante a madrugada e aos fins de semana e que trabalha para ampliar o número de voluntários. A instituição não informou um tempo médio nacional de espera. O serviço é gratuito e sigiloso e oferece canais digitais.
O Ministério da Saúde mantém a Rede de Atenção Psicossocial (Raps) do SUS para atendimento de pessoas em sofrimento mental. A Unidade Básica de Saúde pode ser uma das portas de entrada para avaliação e eventual encaminhamento para serviços especializados.
Em emergências, a orientação é procurar uma UPA, pronto-socorro ou hospital ou acionar o Samu pelo 192. O CVV também oferece apoio emocional gratuito pelo telefone 188.
Para Sérgio Marçal, o principal desafio é transformar a atenção que o tema recebe durante o Setembro Amarelo em uma prática permanente de cuidado, escuta e busca por ajuda.