CRIME

Jovem que desapareceu após sair do trabalho é encontrada morta com sinais de violência na BR-262

Corpo da estudante de psicologia foi localizado em um matagal nas margens da BR-262, nessa terça-feira (10/2)

Mateus Pena/Vitor Fórneas/O Tempo
Publicado em 11/02/2026 às 08:25
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Roupas da vítima foram encontradas no local onde estava o copo (Foto/Reprodução/Redes sociais)

Roupas da vítima foram encontradas no local onde estava o copo (Foto/Reprodução/Redes sociais)

A estudante de psicologia Vanessa Lara de Oliveira Silva, de 23 anos, foi encontrada morta nesta terça-feira (10/2) com sinais de violência às margens da BR-262, em Juatuba, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. A universitária, que cursava o último ano de psicologia, desapareceu logo após deixar o trabalho no Sistema Nacional de Emprego (Sine) da cidade. Confira abaixo tudo o que se sabe sobre o crime até o momento:

Família estranhou demora de Vanessa

A morte foi confirmada pelo irmão da vítima, o empresário Matheus Henrique Silva, de 31 anos. De acordo com ele, Vanessa prestava serviços de recrutamento e seleção e havia ido a Juatuba a trabalho na segunda-feira (9/2). "Ela saiu de casa às 6h e, por volta das 14h, encerrou o expediente para pegar o ônibus de volta para nossa cidade", relatou.

A família, que é de Pará de Minas, na região Centro-Oeste do estado, estranhou a demora quando, por volta das 16h, Vanessa ainda não havia chegado. "Pensamos que o atraso poderia ser devido ao trânsito, mas logo suspeitamos que algo estava errado. Entramos em contato com a empresa, checamos imagens de segurança e acionamos a polícia", explicou Silva.

Jovem foi encontrada nua e com braços amarrados

O corpo da jovem foi localizado em uma área de matagal às margens da BR-262, próximo à guarita onde ela aguardava o transporte. De acordo com os militares, a vítima estava nua, de bruços e com um dos braços amarrado. O chamado inicial chegou ao Centro de Operações da Polícia Militar (Copom) por volta das 13h30 dessa terça-feira (10), informando o encontro de um cadáver. Uma segunda ligação ao 190 detalhou as características da ocorrência.

Equipes foram enviadas ao local, confirmaram a situação e fizeram o isolamento da área até a chegada da perícia. Paralelamente, começaram a surgir denúncias e informações sobre um possível autor, o que levou os policiais a traçarem uma estratégia de diligências e buscas.

Vídeo mostra últimos momentos de vida 

Imagens do circuito de segurança registraram os últimos momentos de Vanessa. A gravação, feita às 14h05 de segunda-feira (9/2), mostra a jovem caminhando pela calçada.

Ao virar a esquina, um homem — apontado como o possível suspeito do crime — se aproxima, mas acaba atravessando a rua. Ele chega perto do portão de uma casa, olha para o interior do imóvel apoiando-se na ponta dos pés e sai. A gravação se encerra em seguida.

Suspeito já foi preso por estupro e deixou a cadeia em dezembro 

O homem de 28 anos apontado como suspeito do crime já foi preso por estupro e tráfico de drogas. Ele deixou o sistema prisional em dezembro de 2025, segundo informação da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG).

Segundo o tenente Mateus Silva, do 3º Pelotão da PMMG em Juatuba, até o momento, ele é tratado como principal suspeito, mas o caso segue em investigação e a autoria ainda será confirmada oficialmente pela Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG).

“Neste momento, já temos uma linha de estratégia para tentar identificar um suspeito. Contamos também com o apoio da população para que qualquer informação seja repassada pelo 190 ou pelo Disque-Denúncia 181, o que pode ajudar na prisão do autor desse crime bárbaro. Não descartamos nenhuma possibilidade. Como o desaparecimento foi percebido pela família desde as 14h do dia anterior, e o corpo foi localizado cerca de 24 horas depois, é possível que o autor ainda esteja na cidade ou tenha fugido para algum município próximo, inclusive da Região Metropolitana”, disse o tenente.

Questionado se há alguma informação sobre um possível relacionamento da vítima com o suspeito, o policial afirmou que, inicialmente, essa hipótese está descartada. “É importante destacar que as conclusões oficiais serão apontadas ao longo da investigação conduzida pela Polícia Civil. O que foi apurado até agora, com pessoas que tiveram contato com a vítima no dia anterior, é que ela não relatou nenhuma anormalidade. Foi um dia comum, ela trabalhou normalmente e não demonstrou preocupação. Pelo que se sabe até o momento, tudo aconteceu de forma inesperada”, explicou Silva.

Moradores relatam revolta e temor após homicídio

A morte de Vanessa causou comoção e medo entre moradores de Juatuba. A reportagem esteve na cidade e conversou com moradores, que pediram anonimato.

Para uma jovem, também de 23 anos, o crime mudou a forma como ela enxerga a rotina no município. “O que mais me preocupa, principalmente depois dessa tragédia, é o descuido. Tem muito lote com mato alto, lugar abandonado. Isso acaba facilitando para quem quer esconder coisa errada”, avalia.

Ela afirma que o caso despertou medo e a fez redobrar a atenção no dia a dia. “A gente passa a tomar mais cuidado, andar mais acompanhado, avisar onde está. Não dá para fingir que nada aconteceu”, diz. Por fim, ao falar sobre a família da estudante, a jovem se emocionou. “Eu não consigo nem mensurar o sentimento da família. O que eu desejo é justiça”, declara.

O aposentado de 66 anos afirmou que o caso é algo fora da realidade do município. “É realmente um crime bárbaro. Uma coisa que abala muito a cidade. A gente vê acontecer em outros lugares, mas quando é perto da gente, o susto é muito maior. Ainda mais se tratando de uma garota tão jovem, com o futuro todo pela frente. É muito triste”, disse.

Ele acrescenta que a possibilidade de o suspeito ser alguém da própria cidade aumenta a sensação de insegurança. “Quando falam que o suspeito pode ser alguém daqui, a gente fica mais assustado ainda. Seja daqui ou não, nada justifica uma coisa dessas. A gente espera que a Justiça esclareça o caso e puna com rigor quem fez isso”, completa.

Questionado se conhecia a vítima, o morador aponta que não tinha proximidade, mas ouviu relatos positivos sobre Vanessa. “Pelo que a gente acompanha e escuta das pessoas que trabalharam com ela, era uma menina tranquila, humilde, trabalhadora, muito prestativa”, contou.

Jovem estava no último ano da faculdade e era 'muito amorosa e batalhadora'

"Muito amorosa e batalhadora". É desta forma que Matheus Henrique afirma que se lembrará da irmã. 

Ele disse que Vanessa estava prestes a realizar um grande objetivo pessoal: formar-se em psicologia. "Ela estava no último ano da faculdade. O sonho dela era ser psicóloga. Era uma menina muito amiga e trabalhadeira demais. Não tinha problema em levantar às 4h; chegava do serviço e já ia direto para a faculdade. Ela era muito esforçada", relembrou o irmão, sem conseguir conter as lágrimas.

Enquanto Matheus lida com os trâmites burocráticos em Juatuba, a mãe dos jovens permanece em Pará de Minas sob o amparo de familiares. "Ela está desesperada", resume o empresário.

Clamor por justiça

Diante da tragédia, a família cobra respostas das autoridades. Matheus, que chegou a mobilizar as redes sociais em busca do paradeiro da irmã, pede que o culpado seja punido com o rigor da lei.

"Mobilizei as pessoas pela internet na esperança de encontrá-la com vida. Diante dessa barbaridade, pedimos justiça. Minha irmã lutou muito para sobreviver", desabafou.

Fonte: O Tempo

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