Documentos obtidos pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS mostram também que Lulinha recebeu R$ 721 mil do presidente
Lulinha, filho do presidente Lula, é investigado pela PF. (Foto/Paulo Giandalia/AE)
A quebra de sigilos bancário e fiscal aprovada pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) revelou que o empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), movimentou R$ 19,5 milhões em uma conta bancária ao longo de quatro anos.
Os registros detalham transações feitas entre janeiro de 2022 a 30 de janeiro deste ano. Nesse período, a conta registrou cerca de R$ 9,8 milhões em entradas e um valor semelhante em saídas.
Os documentos obtidos pela comissão também indicam que o empresário recebeu R$ 721 mil do presidente Lula, divididos em três transferências. A maior delas, de R$ 384 mil, ocorreu em julho de 2022, às vésperas da campanha eleitoral. As outras duas foram feitas em dezembro de 2023.
Em nota, a defesa de Lulinha disse que as transferências decorrem de "adiantamento de legítima herança aos filhos do presidente, devolução de custos arcados por Fábio Luís da época emergencial em que Lula esteve ilegalmente preso, ou de empréstimo à L.I.L.S. Palestras, da qual Fábio Luís possui cotas recebidas por herança".
Fábio Luís teve o sigilo bancário e fiscal quebrado após a Polícia Federal apontar suspeitas de que ele teria relações comerciais com Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”. Ele está preso e é apontado como o principal operador do esquema de fraudes em descontos associativos de aposentadorias e pensões do INSS.
Para o PT, os documentos mostram que não houve transação bancária entre Lulinha e o "Careca do INSS". O deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS) afirmou que o vazamento ilegal do sigilo bancário de Fábio Luís acabou desmontando a narrativa construída por parlamentares da oposição na CPMI do INSS, já que comprovam que nunca existiu pagamentos de “mesada”.
“Cadê a mesada que diziam existir? Cadê a relação dele com o Careca do INSS? Não existe nada. O que houve foi uma tentativa deliberada de manipular dados bancários para criar uma narrativa falsa”, disse o parlamentar.
Os advogados do filho do presidente já recorreram ao Supremo Tribunal Federal (STF) pedindo a suspensão imediata da quebra de sigilo aprovada pela CPMI, em sessão marcada por tumulto e até embates físicos.
Antes disso, no início do ano, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a Polícia Federal a examinar os dados financeiros de Lulinha, suspeito de ser sócio oculto do “Careca do INSS”.
Governistas questionaram a votação dos requerimentos de quebra de sigilo à Presidência do Congresso Nacional, mas o senador Davi Alcolumbre (União-AP), decidiu na terça-feira (3/3) manter a validade da votação realizada na CPMI do INSS.
Na quarta-feira (4/3), o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu a quebra de sigilo da lobista Roberta Luchsinger. A defesa de Fábio Luís, então, pediu extensão a ele da decisão do magistrado.