Embora a maioria dos entrevistados acredite que esta será uma ótima Copa, grande parte da população questionada também entende que o evento trará mais prejuízos do que benefícios
O Instituto de Pesquisas Ápice ouviu 400 pessoas para saber o que o uberabense está achando da realização da Copa do Mundo de Futebol 2014 no Brasil. Embora a maioria dos entrevistados acredite que esta será uma ótima Copa, grande parte da população questionada também entende que o evento trará mais prejuízos do que benefícios ao país e, por isso, é contra.
Para a pesquisa de opinião, as entrevistas foram feitas entre os dias 18 e 22 de abril. De acordo com o último Censo Demográfico, a sondagem contou com perguntas distribuídas proporcionalmente entre sexo, faixa etária, escolaridade, renda familiar em áreas urbanas pré-definidas e delimitadas de acordo com proporcionalidades censitárias. Para esta amostra a margem de erro é de cinco pontos percentuais para mais ou para menos.
Conforme a pesquisa coordenada pelo engenheiro estatístico, analista político e também diretor do Instituto, Luiz Cláudio Campos, das 400 pessoas entrevistadas, 38% acreditam que este ano a Copa do Mundo será boa ou ótima para o país. Já 29% entendem que será um evento regular, enquanto 32% dessa população acha que ela será ruim ou péssima e 1% não soube responder.
Outra pergunta feita aos entrevistados é sobre quais seriam as consequências da realização do evento no país. A este quesito, 67% das pessoas responderam que a Copa do Mundo trará mais prejuízos do que benefícios. Em sentido inverso, 30% dos questionados acreditam que o evento trará mais benefícios do que prejuízos e 3% dos uberabenses não souberam responder. A população alvo da pesquisa também se posicionou sobre a realização da Copa no Brasil. Nesta fase, 51% dos entrevistados se colocaram contra o evento, enquanto 46% dos uberabenses se disseram a favor da Copa do Mundo e outros 3% não souberam opinar.
Na opinião do economista Karim Abud, a Copa será boa, trará mais benefícios e, por isso, deveria mesmo ocorrer no Brasil, mas ele avalia que essas respostas eram esperadas, devido ao bombardeio de críticas veiculadas pela mídia nacional. “Na primeira pergunta, as pessoas responderam pelo aspecto esportivo do evento. Ou seja, o brasileiro gosta de futebol, vai achar bom ela se realizar no Brasil. Porém, como o assunto começou a se politizar no ano passado, o que cresceu este ano com as manifestações dos R$0,20 e depois se ampliou, as pessoas esperavam mais do legado social da Copa”, avalia.
Ou seja, segundo o economista, além das arenas e dos estádios que deveriam, nos últimos sete anos, ter ficado prontos com folga, as pessoas começaram a vincular o que a mídia repercutiu, como “fez o campo, mas não melhorou a saúde e a educação”. “As obras, além das arenas, não ficarão prontas, como BRT, mobilidade urbana, aeroportos e infraestrutura, deixando a desejar em um primeiro momento, mas estarão prontas para as Olimpíadas de 2016. Mas será que todo mundo olharia para as necessidades dessas obras com a intensidade de hoje se não houvesse a Copa? Provavelmente não”, completa Karim.