Pacientes internados e familiares sentiram na pele o pânico e o desespero, após Manaus ficar sem oxigênio, nesta quinta-feira (14). Nas redes sociais, circularam vídeos relatando a situação, em um deles, uma moradora afirma que há muitas pessoas morrendo. “Nós estamos em uma situação deplorável. Simplesmente acabou o oxigênio de toda uma unidade de saúde. Não tem oxigênio, é muita gente morrendo”, contou.
🚨 NÃO TEM CILINDROS DE OXIGÊNIO EM VÃÂÂRIOS HOSPITAIS E OUTRAS UNIDADES DE SAÚDE EM MANAUS!
Tem gente morrendo sufocada porque não consegue respirar pela falta desses cilindros. Tem um genocÃdio acontecendo!! pic.twitter.com/vu2T56DPHK — OXIGÊNIO PARA MANAUS | 𝑷𝒂𝒎 (@pamtaketomi) January 14, 2021
Já teve início a força tarefa de reposição na última sexta-feira, contudo insuficiente. As Forças Armadas devem levar 386 cilindros de oxigênio à capital do Amazonas em caráter de urgência. Nesta quarta-feira (13), mais seis unidades foram entregues pela manhã, em operação que deve durar até o domingo (17). O grande problema é que o volume médio do recurso aumentou onze vezes recentemente, chegando próximo da casa dos 70 mil metros cúbicos, demandando uma operação complexa de reposição.
Já em outro vídeo, divulgado pelo Portal Único, o médico e presidente do Sindicato dos Médicos do Amazonas, Mário Viana, descreve a situação nos hospitais de Manaus e pede uma ação das autoridades para restabelecer, de forma imediata, o abastecimento na região.
"Vários hospitais já estão com falta de oxigênio e pacientes que necessitam do oxigênio estão sendo 'ambuzados' (prática médica que usa um animador manual para simular uma respiração mecânica), mantidos vivos pelo esforço dos profissionais médicos, técnicos e enfermeiros", disse Viana.
O médico ainda ressalta que a situação já era prevista para acontecer na cidade e solicita ajuda de outras regiões. "Transportar oxigênio de outros estados, em caráter de guerra, é uma necessidade para salvar vidas", solicitou.
Em nota divulgada na última terça-feira (12/1), a Associação dos Docentes da Universidade Federal do Amazonas (Adua), já havia se posicionado sobre a questão através de nota. "Denunciar a gravíssima omissão institucional das autoridades no âmbito federal, estadual e municipal que, mesmo dispondo de meios e poder, negligenciam, de forma criminosa e injustificável, sua obrigação de garantir à população o direito constitucional à saúde e integridade da vida"..
Culpado
A Adua ainda responsabiliza o presidente da república, Jair Bolsonaro (sem partido), pela situação de caos instalada no país frente a pandemia do novo coronavírus. "Responsabilizar o Estado brasileiro, na pessoa de seu governante maior, por negligenciar e sabotar as medidas sanitárias preconizadas pela Organização Mundial da Saúde para conter a tragédia humana e social da pandemia em curso, cujos efeitos mais devastadores se dão entre os socialmente mais vulneráveis: povos indígenas, população negra e classe trabalhadora, de modo especial os trabalhadores desempregados e os que sobrevivem da informalidade", informava o documento.
*Com informações Correio Braziliense