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Menos álcool, menos mortes: consumo de bebida pode impactar mortalidade por câncer, diz estudo

Pesquisa australiana associa queda de um litro na ingestão anual por pessoa à redução de óbitos por tumores de mama, fígado e intestino

Luiz Otávio Barbosa/O Tempo
Publicado em 03/03/2026 às 16:31
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Um estudo realizado por pesquisadores da Austrália e publicado no British Journal of Cancer aponta que a redução do consumo de álcool na população está diretamente ligada à queda na mortalidade por quatro tipos de câncer.

A análise de dados históricos, liderada por Heng Jiang, revela que cada redução de um litro no consumo anual per capita está associada a quedas estatisticamente significativas nas taxas de óbitos em um intervalo de 20 anos.

O levantamento cruzou estatísticas de consumo e mortalidade entre 1950 e 2018. Segundo o estudo, a mudança no padrão populacional tem um impacto mais profundo na saúde pública do que apenas medidas individuais isoladas.

Impacto nos tipos de tumores

Os resultados indicam que a queda no consumo reduziu a mortalidade por câncer do trato aerodigestivo superior em 3,6% nos homens e 3,4% nas mulheres. No fígado, a redução entre o público masculino foi de 3,9%.

Já os casos fatais de câncer colorretal caíram 1,2% em homens e 0,7% em mulheres. No caso do câncer de mama, a redução foi de 2,3%, com efeitos mais visíveis em pessoas acima dos 50 anos.

Para a médica oncologista Thaís Almeida Cunha, os dados reforçam que o álcool é um carcinógeno do Grupo 1. "Infelizmente para os pacientes, a orientação é a simples e direta: não consumir", afirma a especialista.

Por que o álcool causa câncer?

Para a especialista, a forte associação do consumo de álcool com o risco de tumores específicos é explicada principalmente pela ação do acetaldeído, o metabólito do etanol que causa danos diretos ao DNA da célula.

"Não existe dose completamente segura do ponto de vista oncológico. O que existe é risco progressivo, dose-dependente, mesmo em baixos níveis de consumo", explica a médica sobre a ingestão rotineira.

No caso do câncer de mama, o etanol eleva os níveis de estrogênio, favorecendo a proliferação de células mamárias. Além disso, o álcool reduz a absorção de folato, essencial para o reparo do código genético.

Sinergia com tabaco e obesidade

A oncologista vai além e alerta sobre o perigo da combinação de álcool e tabaco, que potencializa ainda mais os riscos. “A combinação de álcool e tabaco configura um sinergismo já conhecido de longa data especialmente relevante para a gênese de cânceres da cavidade oral, faringe, laringe e esôfago. O álcool aumenta a permeabilidade das mucosas e atua como solvente, facilitando a entrada dos carcinógenos do tabaco nas células nesses órgãos. Além disso, ambos elevam a produção de acetaldeído pela microbiota oral, resultando em níveis tóxicos para o DNA celular”, complementa Thaís.

Fatores como obesidade e hepatites crônicas também atuam de forma sinérgica, agravando o dano hepático. A interrupção do consumo, no entanto, pode reduzir o risco de câncer de fígado em até 65% em pacientes com cirrose.

Os autores do estudo sugerem que políticas de taxação mais alta e restrições à publicidade de bebidas são estratégias eficazes para reduzir a mortalidade por câncer em nível nacional.

Fonte: O Tempo.

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