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Metade do ano chegou e suas metas não saíram do papel? Veja como recomeçar

Especialista explica por que culpa e objetivos irreais atrapalham mais do que ajudam na mudança de hábitos

Débora Meira
Publicado em 04/07/2026 às 09:17
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A metade do ano costuma funcionar como um marco para quem estabeleceu metas na virada e agora avalia o que conseguiu colocar em prática. Segundo o psicólogo Sérgio Marçal, mais importante do que lamentar os objetivos não cumpridos é entender os motivos e reorganizar o planejamento para os meses seguintes. 

De acordo com o especialista, a motivação que costuma marcar o início do ano é impulsionada pelo hábito de estabelecer novas metas na virada. No entanto, esse entusiasmo nem sempre é acompanhado por planejamento e organização, o que pode dificultar o cumprimento dos objetivos ao longo dos meses. 

Segundo Marçal, um dos principais erros é definir metas sem estabelecer um plano de ação. Ele explica que é importante registrar os objetivos, identificar as etapas necessárias para alcançá-los e criar um cronograma de acompanhamento. "Essa falta de previsibilidade, de planejamento, muitas vezes somada aos imprevistos da rotina, faz com que a pessoa acabe perdendo o controle e não consiga se organizar ao longo do ano", afirma. 

Ao fazer o balanço da primeira metade do ano, o psicólogo recomenda que as pessoas valorizem as conquistas já alcançadas e analisem, de forma objetiva, os motivos pelos quais algumas metas ficaram para trás. Segundo ele, esse processo não deve ocorrer apenas no meio ou no fim do ano, mas periodicamente, permitindo ajustes de rota sempre que necessário. "Você ainda tem metade do tempo para isso. Logo, é possível se reorganizar, se replanejar e redefinir as estratégias", orienta. 

O especialista também alerta para a diferença entre uma frustração natural e uma cobrança excessiva. Para ele, deixar de atingir um objetivo pode gerar sentimento de culpa, principalmente em uma sociedade voltada para resultados, mas esse sentimento não deve se transformar em punição. "A culpa deve ser só a percepção de um erro e jamais uma autoflagelação psíquica. Do contrário, ela só produz sofrimento e não produz progresso", ressalta. 

Outro ponto destacado por Marçal é a necessidade de estabelecer metas compatíveis com a realidade. Segundo ele, objetivos muito ambiciosos tendem a aumentar a frustração e reduzir a motivação. "É preciso traçar metas realistas, definir um objetivo claro e desenvolver formas de alcançá-lo com avaliações semanais ou mensais. Metas existem para serem executadas", afirma. 

Para quem abandonou algum plano ao longo dos primeiros seis meses do ano, o psicólogo defende que sempre é possível retomar o caminho. A recomendação é compreender o que impediu o avanço, ajustar as estratégias e garantir que os objetivos façam sentido para a própria pessoa. "Meta, para ser alcançada, precisa de método, de caminho e de organização", destaca. 

Marçal também chama a atenção para sinais de que a busca por produtividade pode estar comprometendo a saúde mental. Alterações no sono, no humor e no apetite, além de irritabilidade, cansaço constante e perda de prazer nas atividades do dia a dia, podem indicar que a cobrança está ultrapassando limites saudáveis. 

Por fim, o psicólogo reforça que mudanças de hábitos não precisam esperar o início de um novo ano. Segundo ele, qualquer momento pode representar uma oportunidade de recomeço, desde que as metas contribuam para o crescimento pessoal e não se transformem em fonte permanente de sofrimento. "Você pode mudar metas a qualquer tempo. O importante é que elas façam sentido para você, para o seu crescimento e para o seu bem-estar", conclui. 

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