Minas Gerais registra cerca de 980 mil pessoas que não concluíram a alfabetização, segundo dados apresentados em audiência pública na Assembleia Legislativa do estado. Parte desse público vive em cidades que não oferecem a Educação de Jovens e Adultos (EJA), modalidade voltada à retomada dos estudos.
Do total, aproximadamente 190 mil pessoas estão em municípios sem disponibilidade de vagas na EJA. O levantamento também indica que o estado é o quarto do país com maior proporção de cidades sem oferta dessa modalidade, de acordo com dados oficiais.
Além da ausência de vagas em parte do território, o cenário é agravado pela redução no número de matrículas. Entre 2024 e 2025, houve queda próxima de 20% nas inscrições na EJA, o que preocupa especialistas da área educacional.
Regiões como o Norte de Minas e os vales do Jequitinhonha e do Mucuri concentram os maiores índices de analfabetismo. Em alguns municípios, as taxas ultrapassam 25%, enquanto entre populações indígenas e quilombolas os índices variam entre 14% e 16%.
Durante o debate, representantes da área educacional destacaram a necessidade de ampliação do acesso e de mudanças no modelo de ensino para atender trabalhadores e jovens que não concluíram a educação básica.
Órgãos ligados à educação reconhecem dificuldades estruturais para expandir a oferta da EJA, especialmente relacionadas a horários e atendimento em áreas rurais.
O levantamento também aponta que metas estabelecidas no Plano Estadual de Educação, em vigor desde 2018, ainda não foram atingidas, o que mantém o tema em discussão entre autoridades e especialistas.