O esquema era integrado por advogados, policiais civis e agentes penitenciários, beneficiando detentos de alta periculosidade e elevado poder aquisitivo
Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) vai apurar esquema de pagamento de propina para compra da liberdade de presos de alta periculosidade. As informações são do jornal O Tempo. A Operação, denominada “Resgate”, teve o cumprimento de nove mandados de busca e apreensão, além da prisão temporária de quatro suspeitos de participação da quadrilha, dentre eles um agente penitenciário. Milhões de reais teriam sido faturados pelo grupo com a soltura indevida de criminosos em todo o Estado.
A fraude teria sido cometida no Setor de Arquivos e Informações da Polícia Civil (Setarin), responsável por manter atualizado o acervo de mandados de prisão. Dados do MPMG apontam a apreensão de documentos, aparelhos celulares, dinheiro e joias dos envolvidos na fraude do sistema.
Foram presas quatro pessoas, que foram ouvidas ainda na sexta-feira (9); as investigações seguirão sob segredo de Justiça. Nota divulgada pelo órgão explica que o esquema era integrado por advogados, policiais civis e agentes penitenciários, beneficiando detentos de alta periculosidade e elevado poder aquisitivo, movimento ilicitamente milhões de reais em propinas pagas aos servidores públicos.
O esquema ganhou visibilidade com a soltura de Luís Henrique Nascimento Vale, conhecido como Totó, 35 anos, que saiu em dezembro passado pela porta da frente da penitenciária Nelson Hungria, em Contagem. Condenado a 53 anos de detenção, Totó conseguiu liberdade às vésperas do ano novo, apenas 17 meses após sua prisão. Ao jornal O Tempo, fontes garantem que o criminoso pagou R$ 600 mil pela liberdade.
O juiz da Vara de Execuções Criminais de Contagem, Wagner Cavalieri, abriu procedimento para apurar quantas pessoas teriam sido soltas indevidamente e, em 8 de janeiro, o magistrado assinou documento oficializando a “fuga” de outros três criminosos além de Totó. Os autos foram encaminhados para o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), originando as investigações do Ministério Público.
A Secretaria de Estado de Administração Prisional (Seap) participou da operação Resgate e, em nota, confirmou o afastamento do agente penitenciário envolvido; ele responderá a processo administrativo disciplinar. O profissional é efetivo desde janeiro de 1995, ou seja, há 23 anos.
*Com informações do jornal O Tempo