GERAL

MPF aciona Justiça contra irregularidades na residência médica do Hospital de Clínicas da UFU

Procurador aponta jornada excessiva de trabalho, além de falha na supervisão de trabalho que resultou em mortes

Publicado em 07/05/2019 às 08:14Atualizado em 17/12/2022 às 20:34
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Ministério Público Federal (MPF) ajuizou ação civil pública conta a Universidade Federal de Uberlândia após constatar irregularidades na residência médica. O procurador pede que a Justiça obrigue a universidade a adotar e divulgar medidas que cumpram o que é previsto nos atos normativos que regem a Residência Médica.

Entre os problemas encontrados pela procuradoria estão jornadas excessivas de trabalho, falta de médicos que orientem residentes no pós-operatório de pacientes, além de falta de registro. As irregularidades levaram pacientes à morte, segundo o procurador Cléber Eustáquio Neves. Um dos casos é de um menino de oito anos, em 2014, que recebeu dosagem quatro vezes maior que a recomendada para cloreto de potássio.

Também foram comprovadas falhas na supervisão do trabalho das médicas residentes, uma vez que o médico preceptor, profissional preparado e contratado pela unidade hospitalar para acompanhar, avaliar e convalidar os diagnósticos dos alunos do programa de residência médica, não estava presente no dia do ocorrido.

O MPF ainda aponta falta de registro e/ou inserção de informações inverídicas nos prontuários de procedimentos adotados durante o atendimento médico, bem como falta de uniformidade nas condutas dos plantonistas. Ainda há o registro de abuso de poder na relação dos preceptores com os médicos residentes, além de ações que comprometem a prestação do serviço, como o acúmulo de jornadas excessivas de trabalho e ausência de programação específica para as atividades de enfermagem.

A ação foi entregue à 3ª Vara Federal de Uberlândia. Nela, o MPF pede que a Justiça obrigue a UFU a publicar, no prazo máximo de 30 dias, regulamento que faça cumprir todas as normas previstas nos diversos atos normativos que regem a Residência Médica e o próprio exercício da Medicina. A ação pretende garantir ampla transparência às escalas de trabalho de todos os profissionais atendidos e internados no HC/UFU.

Sindicância. O MPF, juntamente com o Conselho Regional de Medicina de Minas Gerais (CRMMG), efetuou sindicância em 2016 para apurar denúncias feitas por médicos residentes quanto às condições do programa.

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