Grupo submetia animais domésticos e silvestres à tortura, mutilação e morte, frequentemente com conotações sexuais, para atender a encomendas de estrangeiros

MPF denuncia envolvidos em esquema internacional de produção e comercialização de vídeos de tortura animal (Foto/Antonio Augusto/MPF)
O Ministério Público Federal (MPF) denunciou à Justiça Federal integrantes de um esquema criminoso dedicado à produção, venda e compartilhamento de vídeos de extrema violência contra animais.
A Polícia Federal (PF) identificou uma rede que submetia animais domésticos e silvestres à tortura, mutilação e morte, frequentemente com conotações sexuais, para atender a encomendas de estrangeiros.
Os envolvidos mantinham contato direto com compradores internacionais, utilizando termos cifrados para mascarar a natureza da atividade, de acordo com a denúncia do MPF.
A PF começou a investigar o grupo após denúncia da organização búlgara Campaigns and Activism for Animals in the Industry, que identificou material violento supostamente produzido no Brasil.
A entidade búlgara fez a denúncia ao Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal, do Brasil, que repassou o caso à PF. A polícia brasileira identificou os suspeitos morando em Belém, capital do Pará.
A Unidade de Repressão a Crimes Cibernéticos de Ódio da PF rastreou as transações e identificou que os vídeos eram negociados em dólar e euro por meio de plataformas de pagamento on-line e transferências via pix.
Durante as diligências, a perícia técnica e o rastreamento de números de endereços de protocolo da internet vincularam os perfis usados na difusão do material a endereços no Brasil.
Análise preliminar do material evidenciou práticas de crueldade extrema e sofrimento prolongado, envolvendo ao menos 32 animais mortos de forma deliberada para abastecer o esquema criminoso.
Com essas informações, a PF deflagrou a Operação Bestia, em 22 de novembro de 2025. Agentes cumpriram dois mandados de busca e apreensão e um mandado de prisão preventiva.
Na casa de um dos suspeitos, os agentes apreenderam computador e celular vídeos inéditos de abusos, além de roupas e instrumentos (como objetos cortantes e recipientes) idênticos aos que apareciam nas gravações periciadas.
O material analisado pela perícia facial da PF confirmou a identidade dos denunciados nas gravações, descartando hipóteses de manipulação digital. Uma das pessoas acusadas continua presa, enquanto outra teve a prisão preventiva decretada e é considerada foragida.
O MPF denunciou o grupo à Justiça Federal no Pará no último dia 18 pelos seguintes crimes:
Devido à extrema gravidade das práticas e à crueldade empregada, o MPF não ofereceu o Acordo de Não Persecução Penal (ANPP), por considerar a medida insuficiente para a reprovação e prevenção do crime.
Além da condenação criminal, o MPF pede que a Justiça estabeleça um valor de indenização por danos morais coletivos, por causa do brutal atentado contra os valores de proteção à fauna e a sensibilidade ética da sociedade.
Fonte: O Tempo