ABSURDO!

MPF denuncia grupo que vendia a estrangeiros vídeos de animais torturados e mortos no Brasil

Grupo submetia animais domésticos e silvestres à tortura, mutilação e morte, frequentemente com conotações sexuais, para atender a encomendas de estrangeiros

Renato Alves/O Tempo
Publicado em 26/03/2026 às 09:02
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MPF denuncia envolvidos em esquema internacional de produção e comercialização de vídeos de tortura animal (Foto/Antonio Augusto/MPF)

MPF denuncia envolvidos em esquema internacional de produção e comercialização de vídeos de tortura animal (Foto/Antonio Augusto/MPF)

O Ministério Público Federal (MPF) denunciou à Justiça Federal integrantes de um esquema criminoso dedicado à produção, venda e compartilhamento de vídeos de extrema violência contra animais.
A Polícia Federal (PF) identificou uma rede que submetia animais domésticos e silvestres à tortura, mutilação e morte, frequentemente com conotações sexuais, para atender a encomendas de estrangeiros.

Os envolvidos mantinham contato direto com compradores internacionais, utilizando termos cifrados para mascarar a natureza da atividade, de acordo com a denúncia do MPF.

A PF começou a investigar o grupo após denúncia da organização búlgara Campaigns and Activism for Animals in the Industry, que identificou material violento supostamente produzido no Brasil.

A entidade búlgara fez a denúncia ao Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal, do Brasil, que repassou o caso à PF. A polícia brasileira identificou os suspeitos morando em Belém, capital do Pará.

A Unidade de Repressão a Crimes Cibernéticos de Ódio da PF rastreou as transações e identificou que os vídeos eram negociados em dólar e euro por meio de plataformas de pagamento on-line e transferências via pix.

Durante as diligências, a perícia técnica e o rastreamento de números de endereços de protocolo da internet vincularam os perfis usados na difusão do material a endereços no Brasil.

Análise preliminar do material evidenciou práticas de crueldade extrema e sofrimento prolongado, envolvendo ao menos 32 animais mortos de forma deliberada para abastecer o esquema criminoso.

Com essas informações, a PF deflagrou a Operação Bestia, em 22 de novembro de 2025. Agentes cumpriram dois mandados de busca e apreensão e um mandado de prisão preventiva.

Na casa de um dos suspeitos, os agentes apreenderam computador e celular vídeos inéditos de abusos, além de roupas e instrumentos (como objetos cortantes e recipientes) idênticos aos que apareciam nas gravações periciadas.

O material analisado pela perícia facial da PF confirmou a identidade dos denunciados nas gravações, descartando hipóteses de manipulação digital. Uma das pessoas acusadas continua presa, enquanto outra teve a prisão preventiva decretada e é considerada foragida.

O MPF denunciou o grupo à Justiça Federal no Pará no último dia 18 pelos seguintes crimes:

  • Maus-tratos a animais: com penas agravadas quando se trata de cães ou gatos (reclusão de 2 a 5 anos) e aumento de um sexto a um terço em caso de morte do animal.
  • Associação criminosa: pela união estável e estruturada para a prática dos delitos.

Devido à extrema gravidade das práticas e à crueldade empregada, o MPF não ofereceu o Acordo de Não Persecução Penal (ANPP), por considerar a medida insuficiente para a reprovação e prevenção do crime.
Além da condenação criminal, o MPF pede que a Justiça estabeleça um valor de indenização por danos morais coletivos, por causa do brutal atentado contra os valores de proteção à fauna e a sensibilidade ética da sociedade.

Fonte: O Tempo

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