A elevação do nível das águas do mar, proveniente do aumento da temperatura no planeta, poderá deixar o mundo off-line bem antes do que se imaginava: em 2033
Cientistas alertam para os possíveis impactos das mudanças climáticas na infraestrutura da internet. Com o aumento das temperaturas dos planetas, consequentemente, haverá elevação do nível das águas do mar, devido à expansão térmica e descongelamento de geleiras. Se a previsão se concretizar, cidades costeiras serão devastadas, espécies de plantas e animais serão extintas e o mundo pode ficar off-line.
O estudo foi conduzido por pesquisadores das universidades Wisconsin-Madison e do Oregon, ambas nos EUA, e compara informações do Atlas da Internet (espécie de mapa global da infraestrutura da internet) com as projeções da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional sobre o impacto da elevação do nível do mar. O cruzamento de informações indica que redes de fibra ótica, centros de processamento de dados e pontos de troca de tráfego serão afetados. E muito antes do que se imaginava.
O estudo aponta que em 2033 mais de 6,5 mil quilômetros de cabos de fibra ótica e 1.100 pontos de troca de tráfego ficarão submersos, apenas nos EUA. Entre as cidades mais afetadas em solo norte-americano estão as gigantes Nova York, Miami e Seattle, mas os efeitos impactarão o funcionamento de toda a internet, podendo até mesmo interromper comunicações globais.
As cidades litorâneas concentram grande parte da infraestrutura de internet, por serem pontos de conexão intercontinentais. Os cabos aproveitam traçados já existentes e são enterrados nas margens de ruas e estradas. Diferentemente dos cabos submarinos, as redes de fibra ótica não são à prova d’água, são apenas resistentes à água.
Durante evento no Canadá, Paul Barford, professor de Ciência da Computação na Wisconsin-Madison explicou que medidas como a construção de barreiras de contenção não devem ser eficientes a longo prazo. “O primeiro instinto será fortalecer a infraestrutura, mas conter o avanço do mar é difícil. Provavelmente conseguiremos algum tempo, mas no longo prazo isso não vai funcionar. Este é um alerta. Nós precisamos começar a pensar em como resolver esta questão”, comentou o especialista.
*Com informações do jornal O Globo