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Não há novas manchas de óleo chegando ao litoral, diz governo

Petrobras identifica 3 campos petrolíferos da Venezuela como origem do óleo no NE

Agência Estado
Publicado em 27/10/2019 às 20:35Atualizado em 18/12/2022 às 01:26
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Felipe Brasil

Por Daniel Weterman

O governo informou que não foram encontradas, neste domingo, 27, novas manchas de óleo no litoral do Nordeste, atingido pelo vazamento de petróleo observado há quase dois meses. Em nota, o Grupo de Avaliação e Acompanhamento (GAA), formado por Marinha, Agência Nacional de Petróleo (ANP) e Ibama, informou que novos resíduos não foram observados chegando à costa pelas equipes de monitoramento.

O relato do governo demonstra que a situação do litoral melhorou em relação ao dia anterior. Sábado, em coletiva de imprensa, a Marinha informou que as praias do Nordeste já não apresentavam óleo do vazamento, mas, apenas "pelotas" de petróleo no mar que poderiam ser recolhidas quando chegassem às praias. Agora, há outra preocupaçã parte do óleo avançou para os manguezais.

O governo já registrou 249 locais afetados. Mais de 1 mil toneladas de resíduos oleosos, diz a nota, foram recolhidos. As ações do grupo continuam em Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia - Estados mais atingidos. Em outros locais, de acordo com o governo, a situação é estável. Petrobras identifica 3 campos petrolíferos da Venezuela como origem do óleo no NE

Por André Borges

Os estudos técnicos realizados pela Petrobras sobre a origem do petróleo que contamina mais de 2,5 mil quilômetros do litoral do Nordeste confirmam não apenas que o produto teria origem na Venezuela, mas de quais campos venezuelanos o material foi retirado.

O jornal O Estado de S. Paulo apurou que, segundo informações da petroleira repassadas à Marinha, a borra de petróleo tem origem em três campos específicos de exploração localizados no país vizinho. A constatação foi possível após a Petrobras comparar a composição química do material recolhido nas praias, com centenas de amostras de petróleo de todo o mundo, que a Petrobras mantém em um centro de pesquisas localizado na Ilha do Fundão, no Rio.

Isso não significa, porém, que a Venezuela tenha responsabilidade direta sobre o derramamento do óleo na costa brasileira, já que o material pode ter sido embarcado em navio de qualquer origem, inclusive embarcações ilegais.

A hipótese de que o piche lançado no mar brasileiro seja resultado da operação criminosa de um "navio fantasma" é, para a Marinha, uma das mais prováveis atualmente porque, segundo avaliações técnicas que já realizou, o produto que contamina as praias brasileiras não é comprado por nenhum outro País do mundo

"Quando a gente fez a análise em mais de 30 amostras, concluiu que era de três campos venezuelanos, é um blend (uma mistura). A origem do petróleo é lá. A origem do vazamento é outra coisa, que a gente entende que é na costa brasileira. A Marinha e as universidades têm falado em torno de 300 km da costa", disse o diretor de Assuntos Corporativos da Petrobras, Eberaldo de Almeida Neto.

Após fazer cruzamento de uma série de dados, a Marinha enviou questionamentos técnicos formais a 30 embarcações que têm origem em 11 países. Todas elas passaram pela região no período investigado e possuem registros na Organização Marítima Internacional. As respostas a esses questionamentos ainda são aguardadas pela Marinha.

A chance de se tratar de um navio-tanque fantasma, porém, é considerada como a de maior probabilidade porque o tipo de petróleo venezuelano que chegou ao litoral brasileiro não é comprado por esses países de bandeira, segundo avaliações internas da Marinha. Normalmente, esse tipo de carga é carregada em navios fantasmas.

"Cada óleo ou petróleo tem uma assinatura geoquímica baseada na sua composição, que é muito específica. É por isso que a gente consegue saber se o óleo veio da Venezuela, da Baía de Santos, da Arábia Saudita (inclusive dos poços). Há bancos mundiais que dispõem dessa assinatura geoquímica do óleo. E é uma análise fácil de fazer e identificar a origem", explica Vanessa Hatje, especialista em Oceanografia Química da Universidade Federal da Bahia (UFBA). "Pra fazer essa identificação geoquímica, usamos biomarcadores do petróleo. São mais de 300 compostos que podem ser usados para determinar a identidade do óleo. (Colaboraram Fernanda Nunes e Roberta Jansen)

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