
(Foto/Reprodução Redes Sociais)
Um homem viajou mais de 2 mil quilômetros, do Maranhão a Minas Gerais, para encontrar uma suposta namorada que conheceu pela internet, mas descobriu que ela não existia e havia sido criada com inteligência artificial (IA). O caso ganhou repercussão nesta semana e acendeu um alerta sobre o uso dessas ferramentas em fraudes digitais.
Com o avanço da IA generativa, já é possível criar rostos, imagens, vídeos, áudios e personagens fictícios cada vez mais convincentes. Esses recursos podem ser usados de forma legítima, mas também permitem que criminosos construam perfis falsos para conquistar a confiança das vítimas, explorar vínculos emocionais e induzir decisões baseadas em informações inventadas.
Como a inteligência artificial pode facilitar golpes?
Uma das modalidades de fraude que pode se beneficiar dessas ferramentas é o chamado golpe afetivo, no qual o criminoso cria uma relação de confiança com a vítima para obter vantagens financeiras ou pessoais.
Perfis com fotos geradas por IA, histórias cuidadosamente construídas e interações frequentes podem dar aparência de autenticidade a uma identidade inexistente. Em alguns casos, os golpistas também podem recorrer a vídeos manipulados e vozes sintéticas para sustentar a farsa.
A tecnologia também permite criar deepfakes, conteúdos audiovisuais que simulam a aparência ou a voz de pessoas reais. Esse recurso pode ser usado, por exemplo, para fingir que um familiar está pedindo dinheiro ou para simular declarações que nunca foram feitas.
Fotos e vídeos não são prova de identidade
A aparência realista de uma imagem não garante que a pessoa retratada exista ou corresponda ao perfil apresentado. Da mesma forma, chamadas de vídeo e áudios podem não ser suficientes, isoladamente, para confirmar a identidade de alguém.
Por isso, uma das principais recomendações de segurança é buscar formas independentes de verificação, especialmente quando o contato envolve pedidos de dinheiro, informações pessoais ou decisões importantes.
Entre os sinais que merecem atenção estão histórias difíceis de confirmar, pedidos financeiros urgentes, desculpas frequentes para evitar verificações e tentativas de impedir que a pessoa converse com amigos ou familiares sobre a situação.
Como se proteger de possíveis fraudes
Inteligência artificial também pode ajudar na prevenção
Embora possa ser usada para aperfeiçoar fraudes, a inteligência artificial também pode auxiliar na identificação de conteúdos manipulados e de comportamentos suspeitos. Essas ferramentas, porém, têm limitações e não garantem, sozinhas, que uma imagem, um vídeo ou um áudio seja verdadeiro ou falso.
O caso da mulher criada por IA reforça a importância da educação digital e da checagem independente de informações. Em um ambiente em que conteúdos sintéticos se tornam cada vez mais realistas, a principal proteção é não tomar decisões importantes com base apenas na aparência de um perfil ou na confiança construída pela internet.