Nível de emprego na indústria fechou os primeiros quatro meses do ano com queda de 2%, na comparação com o mesmo período do ano anterior, intensificando o ritmo de queda
Nível de emprego na indústria fechou os primeiros quatro meses do ano com queda de 2%, na comparação com o mesmo período do ano anterior, intensificando o ritmo de queda em relação ao registrado no último quadrimestre do ano passado, de -1,7%. Os dados são da Pesquisa Industrial Mensal de Emprego e Salário (Pimes), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Segundo os dados, em abril, o total do pessoal ocupado assalariado na indústria mostrou variação de -0,3%, na comparação com março. Na comparação com abril de 2013, o emprego industrial registrou queda de 2,2%, sendo este o trigésimo primeiro resultado negativo consecutivo nesse tipo de confronto e o mais intenso desde dezembro de 2009 (-2,4%); enquanto a taxa acumulada nos últimos 12 meses recuou 1,5%, mantendo a trajetória ligeiramente descendente iniciada em agosto do ano passado (-1%).
Para o presidente do Centro das Indústrias do Vale do Rio Grande (Cigra), Nagib Facury, o levantamento reflete a atual situação no setor, que passa por um momento de extrema dificuldade. “Esta é a realidade da indústria brasileira, que está enfrentando problemas sérios. Não há crescimento”, afirma. Ele destaca como exemplo o setor automobilístico, que já dá sinais de dificuldades, não descartando demissões e férias coletivas com objetivo de rever o crédito.
Para o dirigente, a retração é decorrente de uma série de fatores, entre eles, as artimanhas para conter a inflação que vêm sendo tomadas pelo governo federal. “Uma delas é a abertura da balança comercial, para receber o que vem de fora. Isso já mata a indústria nacional”, destaca. Outros gargalos são o valor do dólar para a exportação e os entraves das leis trabalhistas. “Existem empresas que estão saindo do país para produzir fora por verem mais vantagem em exportar para o país e sair deste emaranhado de leis e impostos”, revela.
Setor apresenta saldo positivo na abertura de vagas em Uberaba. Por outro lado, Uberaba está na contramão da realidade brasileira, afirma o dirigente. No mês passado, a indústria foi o setor que mais gerou emprego no município. Durante o período foram 955 admissões, contra 793 demissões, totalizando saldo positivo de 162 novos postos de trabalho. O número é quase 40% de todas as vagas criadas durante o período em Uberaba. No geral, a cidade registrou saldo positivo de 438 empregos gerados em abril. Foram 5.241 admissões, contra 4.803 demissões, ou seja, uma variação positiva de 0,59%.