Jairo Chagas
Para Manoel Rodrigues Neto, novo valor vai influenciar a atualização nos preços dos produtos
A presidente Dilma Rousseff assinou o decreto que viabilizou o aumento do salário mínimo para R$ 724 em 2014, 6,78% a mais do que os R$ 678 atuais. Esse valor estava previsto no Orçamento da União, aprovado pelo Congresso Nacional. A partir de 1º de janeiro de 2014, o novo valor entrou em vigor e os salários já reajustados, referentes a janeiro, serão recebidos pelos empregados no mês de fevereiro.
O presidente da Associação Comercial, Industrial e de Serviços de Uberaba, Manoel Rodrigues Neto, não acredita que esse aumento vai reduzir a abertura de novas vagas de trabalho, já que a maioria das empresas e indústrias uberabenses, como o Sindicato do Comércio e o setor da construção civil, por exemplo, já pagam salário superior ao valor reajustado pelo Governo Federal. “O comércio, por exemplo, já tem uma remuneração fixada acima do valor do salário mínimo e as indústrias, de uma maneira geral, também operam com valor acima do salário mínimo. Então, o principal impacto para Uberaba pode ocorrer quando, em uma segunda etapa, começarem as negociações salariais com grandes empresas, em que vai haver uma propositura mais pesada dos sindicatos trabalhistas para um ganho real influenciado pelo aumento do salário mínimo”, avalia.
Por isso, para Manoel Neto, à primeira vista, o impacto inicial no meio empresarial não deve ser muito importante. “Deve ser um impacto de médio a baixo. A expectativa ficará mesmo por conta das negociações salariais entre empregados e empresas, através dos sindicatos, de acordo com as várias categorias que temos em Uberaba, para a reposição das perdas ou a recomposição dos salários daqueles sindicalizados”, frisa.
Por outro lado, o presidente reflete que o reajuste do salário mínimo será responsável por uma importante injeção de dinheiro na economia brasileira. “Temos a expectativa de que o aumento deve provocar uma inflação, ainda que seja baixa, porque também influencia o reajuste na composição de preços de serviços e custos de matérias-primas, que consequentemente serão repassados ao consumidor, através do preço dos produtos. O próprio setor público já realizou reajustes; a gasolina subiu; daqui uns dias virá o reajuste do transporte público, e depois virão os impostos, como IPVA e IPTU. Tudo isso vai forçar o índice de inflação. Ou seja, no primeiro instante não vamos sentir muito a mudança, mas acredito que na segunda etapa, que seriam as negociações salariais e a atualização de preços dos produtos, é que vamos começar a sentir os efeitos”, reforça Manoel Neto.