DADOS DA PC

Número de pessoas desaparecidas sobe 30% em Minas Gerais

Saiba como agir em caso de sumiço de amigos e familiares

O Tempo/Vitor Fórneas
Publicado em 02/01/2026 às 18:44
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Guilherme, Bruno, Daniel e Pedro estão desaparecidos desde o dia 28. (Foto/Arquivo Pessoal/Divulgação)

O sumiço de quatro amigos mineiros em Santa Catarina traz à tona um desafio que avança em Minas Gerais. A cada dia, 25 pessoas desaparecem em Minas Gerais. Dados da Polícia Civil apontam que, de janeiro a 2 de dezembro deste ano, foram registrados 8.404 desaparecimentos, uma alta de 30% em relação ao mesmo período de 2024, quando houve 6.467 casos. A saudade e a angústia são sentimentos constantes entre familiares que buscam respostas sobre o paradeiro de seus entes queridos.

O grupo de amigos, que é das cidades de Guaxupé e Guaranésia, no Sul mineiro, vivia há pouco tempo em São José, cidade da Região Metropolitana de Florianópolis. Pedro Henrique Prado de Oliveira, de 19 anos; Guilherme Macedo de Almeida, de 20; Daniel Luiz da Silveira, de 28 e Bruno Máximo da Silva, também de 28; foram vistos pela última vez no dia 28 de dezembro. O caso é investigado pela Polícia Civil de Santa Catarina. 

O chefe da Divisão de Referência à Pessoa Desaparecida da PC de Minas Gerais, delegado Matheus Cobucci, explica que os desaparecimentos envolvem diferentes razões, situações e causas. “A maioria deles é voluntária. Envolve saída espontânea do lar por conflitos familiares, busca por autonomia e outros fatores de cunho individual. Também registramos sumiços involuntários, relacionados a transtornos cognitivos, questões de saúde mental e episódios de desorientação”, afirma.

O desaparecimento de crianças e adolescentes é um dos mais preocupantes, pois, segundo Cobucci, muitas ocorrências acontecem de forma impulsiva. “Muitas vezes, eles agem por impulso diante de algum conflito familiar. O sumiço de pessoas dessa faixa etária preocupa muito, pois elas podem ser aliciadas ou abusadas, já que falamos de indivíduos sem qualquer fonte de renda”, alerta.

O delegado reforça que o registro rápido da ocorrência é fundamental para auxiliar nos trabalhos investigativos. “Nos desaparecimentos de crianças, os registros costumam ser feitos com mais rapidez, já que os responsáveis buscam se resguardar caso algo aconteça. É importante lembrar que, independentemente da idade, a polícia deve ser comunicada imediatamente. Não é preciso esperar 24 horas, pois não há prazo mínimo para elaborar a ocorrência”, esclarece.

O registro é indispensável porque permite a integração entre as forças de segurança, órgãos públicos, hospitais e outros setores para a emissão de alertas. “Por exemplo: se a pessoa desaparecida tenta emitir um documento, como o CPF, o sistema bloqueia. A polícia é comunicada e vai até o local. Tivemos um caso em que um desaparecido tentou embarcar para outro país, e a Polícia Federal foi acionada. Essa integração é essencial e nos ajuda muito na localização”, relata Cobucci.

Além dos alertas, as forças de segurança também confeccionam cartazes de desaparecidos, divulgados em espaços públicos e nas redes sociais.  “A produção do cartaz só ocorre com autorização do solicitante da ocorrência. Uma vez autorizado, ele é amplamente divulgado. Há muitos casos de pessoas que, ao verem o próprio cartaz, se assustam e procuram a polícia. Ou seja, isso pode impactar diretamente o comportamento do desaparecido”, explica.

As buscas incluem ainda hospitais e o Instituto Médico-Legal (IML), já que, segundo o delegado, “há muitos casos em que o desaparecido, na verdade, já veio a óbito, seja por acidente, causas naturais ou outras circunstâncias”.

Importância do registro de localização

O delegado Matheus Cobucci reforça a necessidade de as famílias também procurarem a polícia quando o ente for encontrado. "O registro da localização é muito importante e necessário, pois em vários casos, tanto a polícia quanto outras entidades parceiras acabam realizando buscas desnecessárias, e os casos que precisam da atuação ficam sem a devida assistência", complementa.

A angústia da espera

A ausência de informações, como a mencionada pelo delegado, é a realidade diária de famílias como a de Jane Aparecida, de 56 anos. Desde 29 de setembro, a dona de casa vive com a angústia da espera pelo retorno do filho, Juliano Márcio Costa de Aguiar, de 34 anos, que desapareceu após sair de casa no bairro Jardim Vera Cruz, em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

"A gente vive uma incerteza e tem vários pensamentos. Fica aquela dúvida se a pessoa está bem, onde ela está, se está se alimentando e dormindo. Tudo que fazemos lembramos dele. É uma angústia", desabafa Jane.

A dor do desaparecimento se torna ainda mais difícil para a filha de Juliano, uma menina de 6 anos. "Nesta semana ela retornou da escola e chorou muito. Disse que estava com saudades do pai, que queria abraçá-lo e ficou chamando por ele várias vezes. Ver a tristeza dela nos deixa ainda mais para baixo", conta Jane.

O que fazer em caso de desaparecimento de pessoa?

  • Procure uma Delegacia de Polícia ou Unidade da Polícia Militar mais próxima da sua residência para registrar o desaparecimento.
  • Tenha em mãos seu documento de identidade e uma foto recente e nítida da pessoa desaparecida.
  • O registro do desaparecimento também pode ser feito virtualmente, por meio da Delegacia Virtual.
  • Apesar da carga emocional envolvida, é fundamental manter a calma para que as informações sejam repassadas, de forma clara e detalhada, para os policiais.
  • O registro do desaparecimento deve ser feito imediatamente após identificar que houve a quebra da rotina da pessoa desaparecida. Não aguarde 24 horas ou mais para procurar a Polícia.

Fonte: O Tempo

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