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O fotógrafo cego luta para cobrir Paralimpíadas: "transformo composição de sons em imagens"

Publicado em 29/04/2021 às 19:30Atualizado em 18/12/2022 às 13:24
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Foto/Arquivo Pessoal

A história do piauiense João Maia, de 46 anos, foi contada pela BBC Brasil. João é cego e chama atenção por ser um fotógrafo exemplar. As fotografias são sentidas,  o profissional usa a audição, o tato, o olfato e sensibilidade em suas composições. 

João ficou cego aos 29 anos por causa de uma uveíte bilateral — doença inflamatória na úvea, que é a camada do olho que abrange a íris, o corpo ciliar e a coroide.

Depois do processo de reabilitação que durou um ano e uma passagem de sete anos pelo esporte paralímpico no atletismo, João decidiu se dedicar totalmente à fotografia, em 2016 ele fez a cobertura dos Jogos Paralímpicos no Rio de Janeiro. 

Foto/João Maia 

"Quando vou bater uma foto na Paralimpíada, sinto a conexão de sons, o disparo da prova, o som da batida do atleta correndo, o som da torcida. Eu transformo toda essa composição de sons em imagens, por isto minha fotografia é cega", contou à BBC News Brasil.

"Conheço cada botão do meu equipamento e me apoio nos sons da câmera. O barulho me dá certeza de que está sendo focado. Minha fotografia é feita essencialmente com as minhas percepções", explica João.

No caso das Paralimpíadas, a passagem que também teve pelo esporte como atleta ajuda a entender as provas e João sempre conta com o apoio de algum colega para descrever o ambiente e ajudar nas configurações.

Em 2016, ele foi credenciado como fotojornalista de um projeto chamado Superação da produtora cultural Mobgraphia, que consistia em retratar os atletas com fotos de celular. Sua história foi contada por mais de 30 veículos de imprensa pelo mundo e impulsionou a criação do projeto Fotografia Cega. Hoje, João se dedica não apenas a fotografar, mas também ensina técnicas da fotografia sem o uso da visão e assim "abre os olhos" da sociedade para as capacidades das pessoas com deficiência.

Depois do sucesso em 2016, o fotógrafo visa agora a cobertura das Paralimpíadas em Tóquio, que serão realizadas entre os meses de agosto e setembro, sem a presença dos torcedores por causa das restrições da pandemia.

A ida para Tóquio deve impulsionar o novo projeto de João Maia, que consiste na produção de um livro sobre sua história de vida e na obtenção de material para uma nova exposição fotográfica: 4 Sentidos e Uma Visão. João conta com a ajuda da jornalista e escritora Luciane Tonon, que deve guiá-lo em Tóquio, descrever os ambientes e posteriormente, escrever o livro sobre a trajetória dele.

As passagens foram financiadas, mas os gastos com alimentação e hospedagem estão pendentes, além da dívida que ficou por causa da passagem. Por isso, Luciene e João fizeram uma vaquinha online.

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