Um homem de 69 anos morreu às 19h08 da terça-feira, 17, em um hospital particular de Niterói (Região Metropolitana do Rio), com sintomas de covid-19, segundo a equipe médica. A assessoria de imprensa do hospital informou que ele fez exame para constatar a presença do coronavírus, mas até a noite da terça-feira não havia resultado.
Segundo nota divulgada pelo hospital Icaraí, esse paciente teve os primeiros sintomas na última quarta-feira, 11, depois de ter contato com o enteado, que voltou de Nova York com exame positivo para covid-19.
O paciente teve insuficiência respiratória aguda e por isso foi submetido à entubação orotraqueal e colocado em ventilação mecânica, mas acabou morrendo por choque séptico e pneumonia, segundo a nota divulgada pela unidade de saúde.
Conforme a Secretaria Estadual de Saúde, dos 33 casos de coronavírus confirmados no Rio, um é de morador de Niterói. Mas não se trata desse paciente, cujo exame para coronavírus ainda não tem resultado. (Por Fábio Grellet) Até o dia 26, projeção é de que número de casos pode aumentar 25 vezes
Até o próximo dia 26, o número de casos do novo coronavírus no Brasil poderá subir até 25 vezes, ou 2.400%. Com isso, os registros chegariam a 5 mil, a maioria em São Paulo. A previsão está na primeira nota técnica do Núcleo de Operações e Inteligência em Saúde (Nois), formado por cientistas da PUC-RJ, Fiocruz e Instituto d'Or.
O grupo vai monitorar a curva de crescimento do número de casos para municiar as autoridades de saúde.
No melhor cenário, o País teria, em 26 de março, 2.314 casos; na hipótese mediana, 3.750.
Em São Paulo, onde se concentram 68% dos casos do Brasil, a previsão é de que o número de doentes seja, no cenário mediano, de 2.550 (podendo variar entre 1.573 e 3.380). No Rio, seriam 450 casos dentro de dez dias (variando de 278 a 596).
Mesmo nos piores cenários, as previsões tendem a ser tímidas. Até agora as orientações no Brasil têm sido no sentido de que apenas casos mais graves sejam testados.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) tem recomendado testar o maior número possível de pessoas. O País, porém, não apresenta estrutura hospitalar ou mesmo kits de diagnóstico suficientes para fazer esses testes e deu prioridade a casos graves.
Os cientistas partiram do cenário em 15 de março, quando o Brasil tinha 200 casos confirmados. Para criar o modelo, eles utilizaram a evolução da epidemia nos países que apresentavam as maiores séries históricas de dados: Irã, Itália, Espanha, França, Alemanha, Estados Unidos, China e Coreia do Sul.
Para o melhor cenário, por exemplo, fizeram a previsão do Brasil com base nos dados da Coreia do Sul. Para o pior cenário, a evolução da curva seria similar à de Irã e Itália.
"A gente separou os países em grupos com comportamentos semelhantes e reproduzimos o comportamento do Brasil para aqueles padrões", explicou Fernando Bozza, chefe do Laboratório de Medicina Intensiva do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, da Fiocruz, e coordenador de pesquisa do Instituto D'Or. "Temos de ver como será a evolução nos próximos dias para entender qual curva o Brasil vai adotar."
O grande risco de um crescimento exponencial no número de casos é levar a um colapso do sistema de saúde. (Por Roberta Jansen)