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Preço da picanha sobe 7,8% no governo Lula, aponta levantamento

Publicado em 26/09/2026 às 18:17
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O preço da picanha acumulou alta de 7,8% entre janeiro de 2023 e agosto de 2026, segundo levantamento feito pelo economista Fábio Romão, da consultoria 4intelligence, com base em dados do IPCA. No período de janeiro de 2020 a dezembro de 2022, a elevação acumulada do corte havia sido de 38%.

A comparação passou a ganhar destaque no debate político desde as eleições de 2022, quando o consumo de picanha foi citado pelo então candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante a campanha.

A série específica da picanha no IPCA começou em janeiro de 2020, após a atualização da cesta de produtos e serviços pesquisados pelo IBGE. Por isso, não há dado do corte para o primeiro ano do governo Jair Bolsonaro (PL).

Oferta influencia comportamento dos preços

De acordo com Romão, a variação do preço da picanha está relacionada principalmente a fatores de oferta e demanda, e não pode ser atribuída exclusivamente às decisões de um governo.

Um dos fatores apontados é o aumento da oferta de carne bovina nos últimos anos. Em 2025, o Brasil registrou 42,94 milhões de bovinos abatidos sob inspeção sanitária, alta de 8,2% em relação ao ano anterior e maior resultado da série histórica iniciada em 1997, segundo o IBGE.

No período anterior, entre 2020 e 2022, o mercado de carnes também sofreu influência de fatores como os efeitos econômicos da pandemia de Covid-19, a guerra entre Rússia e Ucrânia, a valorização do dólar e condições climáticas, que afetaram custos de produção e preços de commodities utilizadas na alimentação animal.

Preço da carne ainda pesa no orçamento

Apesar da menor variação acumulada da picanha no período analisado do governo Lula, o nível dos preços continua sendo apontado como um fator de pressão sobre o orçamento das famílias.

Em São Paulo, o preço médio do quilo dos cortes de primeira pesquisados pelo Procon-SP em parceria com o Dieese chegou a R$ 50,49 em agosto de 2026. Em agosto de 2022, o valor médio era de R$ 42,54. Em agosto de 2019, antes da pandemia, estava em R$ 23,61. A pesquisa considera coxão mole, patinho e outro corte de preço inferior.

O levantamento também aponta que a alimentação consumida dentro de casa acumulou inflação de 60,8% entre abril de 2020 e agosto de 2026, acima da alta de 42,7% registrada pelo IPCA geral no mesmo intervalo.

Considerando apenas os 44 primeiros meses dos dois governos, a alimentação no domicílio acumulou alta de 12,9% entre janeiro de 2023 e agosto de 2026, contra 54,2% entre janeiro de 2019 e agosto de 2022, segundo os dados compilados por Romão.

Consumo de carne bovina

Outro fator citado por especialistas é o endividamento das famílias, que pode limitar a capacidade de absorção de novas altas e estimular a substituição da carne bovina por proteínas de menor custo, como frango, carne suína, ovos e embutidos.

Estimativas da Safras & Mercado apontam que o consumo de carne bovina no Brasil ficou em 24,94 quilos por habitante em 2021. O indicador se recuperou nos anos seguintes e chegou a 30,79 quilos em 2024 e 30,63 quilos em 2025. Para 2026, a projeção é de 28,08 quilos por habitante.

O cenário também pode mudar nos próximos meses. Segundo análise citada na reportagem, uma possível inversão do ciclo pecuário, com menor participação de fêmeas nos abates, pode reduzir a oferta de carne no futuro e pressionar os preços dos cortes bovinos de maior valor agregado.

Picanha volta ao debate eleitoral

O preço da picanha voltou a aparecer no debate da eleição presidencial de 2026. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tem usado o custo dos alimentos em críticas ao governo Lula, enquanto a campanha do presidente destaca indicadores econômicos relacionados a emprego, renda e salário mínimo.

A comparação entre os preços da picanha nos diferentes períodos, portanto, ocorre em meio à disputa eleitoral. O levantamento utilizado na análise mede a variação acumulada dos preços, mas os especialistas citados ressaltam que fatores como oferta, demanda, condições climáticas e cenário internacional também influenciam o comportamento da carne.

E a cerveja?

A cerveja, outro produto mencionado por Lula durante a campanha de 2022, acumulou inflação de 19,5% entre janeiro de 2023 e agosto de 2026, segundo o mesmo levantamento. Entre janeiro de 2019 e agosto de 2022, a alta acumulada havia sido de 19,2%.

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