O grupo educação teve alta de 5,97% puxada pelo reajuste de 7,64% dos colégios particulares
Conforme levantamento divulgado pelo IBGE, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador oficial da inflação no país, sofreu aceleração em fevereiro, ficando em 0,69%, embora a expectativa fosse de 0,65%. Segundo o Instituto de Geografia e Estatística, a educação foi o setor que mais impulsionou a alta, em razão principalmente do aumento das mensalidades escolares, que apresentaram reajuste médio de 7,64%.
Com esse resultado, o IPCA acumula aumento de 1,24% em janeiro e fevereiro, sendo que no acumulado dos últimos 12 meses o índice sofreu aumento de 5,68%. Apesar de queda significativa no consumo nos dois primeiros meses do ano, a inflação é puxada pela alta do dólar, clima desfavorável no início de 2014 e a expectativa de aumentos maiores nas tarifas públicas, como energia e reajustes no preço do transporte coletivo. O grupo educação teve alta de 5,97%, puxada pelo reajuste de 7,64% dos colégios particulares. Sozinhos, os itens de educação foram responsáveis por 0,27% do IPCA, o que corresponde a mais de um terço do índice.
De acordo com Nilton Ferreira da Silva, gerente administrativo e financeiro de uma escola particular da cidade, houve instituições que aplicaram reajustes mais expressivos nas mensalidades, entre 9,5% e 10%. No entanto, ele afirma que na escola onde trabalha não houve mudança no percentual de 8%, aplicado desde 2005. “Acredito que, na verdade, esse aumento é muito particular, conforme cada instituição, porque o reajuste da mensalidade escolar hoje atende a uma legislação específica, ligada a investimentos em estrutura física, às aplicações na área pedagógica. Então, esse investimento didático-pedagógico varia muito para cada escola, dependendo da forma como a escola está implementando esse trabalho. O que se percebe é que as escolas estão aplicando reajustes com base na concorrência de mercado. Se uma escola puxa o reajuste, influencia outras, que vão atrás”, explica.
Vânia Lúcia Pacheco Santos, tesoureira de outra instituição de ensino em Uberaba, afirma que houve aumento de 9% em cada segmento, sendo Maternal, Educação Infantil, Fundamental e Ensino Médio. No entanto, ela explica que decisões sobre reajustes e investimentos são tomadas pela mantenedora, cuja sede fica em Brasília, e sempre de acordo com as características locais de cada escola. “Este ano, o que se ponderou é que tivemos um aumento de 9% em cada segmento. Alguns pais notaram diferença um pouco maior, mas o que acontece é que para uma criança que estava no Maternal e este ano passou para o curso Fundamental foram cobrados os valores específicos ao segmento mais o reajuste de 9%, ou seja, ficou dentro do que ocorreu no ano passado, quando o reajuste variou de 8% a 9%”, ressalta Vânia.