O levantamento considera os benefícios do INSS e os dos servidores públicos
A reforma da Previdência vai além do âmbito fiscal no país: ela acentua a desigualdade. Ministério da Fazenda divulgou estudo sobre os principais desafios do país nesta quarta-feira que mostra que o sistema previdenciário brasileiro paga doze vezes mais para os ricos do que para os pobres. O levantamento considera os benefícios do INSS e os dos servidores públicos.
“Isso ocorre porque o regime do INSS tem um teto, e o dos servidores é muito mais alto. Existe extrema desigualdade na aposentadoria. É um sistema desumano”, explicou o economista Raul Velloso, especialista em contas públicas, ao jornal O Globo.
O relatório aponta que, de todos os benefícios previdenciários, somente 3,3% vão para a parcela mais pobre da população. O montante equivale a R$ 17,8 bilhões. Enquanto isso, os mais ricos ficam com 40,6% do bolo, o que representa R$ 243,1 bilhões.
Com a conta, a equipe econômica busca frisar para o futuro governo a importância da reforma da Previdência, considerada a medida mais importante de uma série de recomendações listadas no documento de quase 40 páginas.
Especialistas acreditam que, para atacar a desigualdade, é preciso focar em reforma que acabe com as diferentes regras de acesso, sobretudo entre servidores públicos e aposentados da iniciativa privada.
Uma das ideias em análise pelo novo governo é que servidores que ingressaram na carreira antes de 2003 só possam se aposentar com integralidade (recebendo o último salário) e paridade (tendo direito ao mesmo reajuste que os ativos) ao atingirem idade mínima de 65 anos. Essa medida tornaria mais igualitários os regimes previdenciários.
Reforma fatiada. Esta semana o presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) afirmou que pretende colocar em votação um projeto de reforma já no primeiro semestre de 2019. Ele afirmou que a reforma pode chegar ao Congresso fatiada para facilitar sua aprovação. “O que mais interessa, num primeiro momento, é a idade mínima. Então vamos começar com essa. É a ideia, mas pode mudar, e isso não quer dizer que houve recuo, é sinal de que houve mais negociação. Mas a ideia é começarmos pela idade e depois apresentarmos outras propostas”, explicou o presidente.
*Com informações do jornal O Globo