Com a piora dos danos antes do início da primavera, agricultores poderão colher menos de 40 milhões de sacas em 2015
A produção do Brasil, maior produtor de café do mundo, pode cair 18% quando a colheita terminar no mês que vem, para 40,1 milhões de sacas, estima o Conselho Nacional do Café, após declínio de 3,1% no ano passado.
O Citigroup Inc. previu em 21 de agosto que o déficit global na produção pode durar até 2016 por causa da escassez no Brasil, que no ano passado respondeu por 36% da oferta mundial.
Os contratos futuros, que se valorizaram mais que os de qualquer outra commodity neste ano, podem subir mais 19% até o fim de dezembro, para US$ 2,25 a libra-peso (454 gramas), mostrou uma consulta da Bloomberg a 18 analistas.
O incremento está forçando compradores a elevar os preços no varejo. “O mercado está vulnerável ao incremento devido a todos os problemas no Brasil”, disse Donald Selkin, que ajuda a gerenciar US$ 3 bilhões como estrategista-chefe de mercado da National Securities Corp. em Nova York. “As pessoas estão prevendo ofertas mais apertadas e esperando evoluções climáticas mais drásticas”.
O café arábica subiu 71% neste ano, para US$ 1,892, na ICE Futures U.S., o maior ganho entre 22 matérias-primas no índice Bloomberg Commodity, que caiu 0,1 por cento. O índice de ações MSCI All-Country World subiu 5,4% no mesmo período. O índice Bloomberg Treasury Bond teve incremento de 4,1%.
O Brasil está enfrentando sua pior seca em décadas. Os reservatórios das regiões Sudeste e Centro-Oeste, onde está a maioria das plantações de café do país, estavam em menos de 32% de sua capacidade em 24 de agosto, contra a média de 59,3% em agosto nos 13 anos anteriores, segundo a Operadora Nacional do Sistema Elétrico, a ONS.