Mulher de 50 anos foi detida por fraude bancária após ser identificada como suspeita, mesmo sem nunca ter estado no local do crime
Polícia de Fargo identificou Angela Lipps como suspeita, mantendo a mulher presa por seis meses (Foto/Reprodução/Google Maps)
Uma mulher de 50 anos passou seis meses presa nos Estados Unidos após um sistema de inteligência artificial confundi-la com uma suspeita de fraude bancária em uma cidade que ela nunca visitou. Angela Lipps perdeu a casa, o carro e até o cachorro por não conseguir pagar as contas enquanto estava detida.
Lipps foi presa por agentes federais em julho de 2025, na casa em que morava, no estado do Tennessee, enquanto cuidava de quatro crianças. A prisão aconteceu depois que a polícia de Fargo, na Dakota do Norte (a 1.798 km de distância), usou um software de reconhecimento facial para identificar uma suspeita de aplicar golpes bancários.
Nas imagens de câmeras de segurança, a suspeita aparecia usando uma identidade militar falsa para sacar dezenas de milhares de dólares. Após analisar os vídeos, investigadores apontaram Lipps como possível responsável, afirmando que ela parecia corresponder à mulher nas gravações pelas características faciais, tipo físico e penteado.
A americana, mãe de três filhos e avó de cinco netos, afirmou que nunca esteve na Dakota do Norte. "Eu nunca estive na Dakota do Norte, não conheço ninguém da Dakota do Norte", disse ao WDAY News. Segundo ela, ninguém da polícia entrou em contato antes da prisão.
Após ser detida, Lipps passou quase quatro meses em uma cadeia no Tennessee sem direito a fiança enquanto aguardava extradição. Ela só foi levada para Dakota do Norte 108 dias depois da prisão, sendo libertada apenas na véspera de Natal de 2025, depois que o advogado de defesa apresentou registros bancários que comprovavam que ela estava no Tennessee no momento em que os crimes ocorreram.
Depois de ser solta, Lipps ainda enfrentou dificuldades para voltar para casa. A polícia de Fargo não pagou a viagem de volta, e advogados locais ajudaram com hospedagem e alimentação durante o Natal. Uma organização sem fins lucrativos acabou ajudando no retorno dela ao Tennessee.
Enquanto estava presa e incapaz de pagar contas, Lipps perdeu sua casa, seu carro e seu cachorro, segundo ela. A mulher também disse ao WDAY News que ninguém do departamento de polícia de Fargo pediu desculpas pela situação informada.
Outros casos de erro de reconhecimento facial
Em outubro de 2025, um sistema de inteligência artificial confundiu um pacote de Doritos de um estudante do ensino médio de Baltimore com uma arma de fogo. O sistema chamou a polícia local para informar que o aluno estava armado. Taki Allen estava sentado com amigos do lado de fora da escola quando policiais armados se aproximaram dele, fizeram com que ele se ajoelhasse, o algemaram e revistaram. Eles não encontraram nada.
No início de 2026, a polícia prendeu um homem no Reino Unido por um roubo em uma cidade que ele nunca havia visitado, depois que um software de escaneamento facial o confundiu com outra pessoa de origem sul-asiática. As autoridades haviam usado software automatizado de reconhecimento facial que o associou a imagens de um suspeito em um roubo de 3 mil libras a 160 quilômetros de distância.