66,38% das crianças e adolescentes que aguardam por uma família no país são negras e pardas
Das 45.992 famílias habilitadas pelo Cadastro Nacional de Adoção (CNA) em todo o Brasil, 14,78% querem adotar apenas crianças e adolescentes brancos e do sexo feminino. 26,9% dos pretendentes cadastrados querem adotar somente mulheres. A preferência pelo sexo masculino cai significativamente, não superando 8,3%.
Na região sudeste, a discriminação racial no processo de adoção é alarmante. Do total de interessados – 22.160 famílias habilitadas – 92,3% aceitam adotar pessoas brancas, enquanto 56,36% aceitam adotar negros.
Se não fosse esses e outros impecilhos, a fila de crianças e adolescentes que procuram por famílias já teria zerado. Na região sudeste, o número de pessoas que esperam ser adotadas é 5,5 vezes inferior ao de habilitados pelo CNA. Além da questão racial, o diretor executivo do Grupo de Apoio a Adoção de Uberaba (Graau), Maxwell Lucas dos Santos Pereira, declarou em entrevista ao JM Online que os adotantes dispensam crianças e adolescentes com outras características.
“As famílias procuram crianças menores e não querem crianças negras e essa é a realidade dos abrigos. São crianças maiores, negras e que tem doenças – muitas vezes tratáveis – porém, os adotantes querem outros perfis e, por isso, dizem que a conta não fecha”.
No país 9.527 crianças e adolescentes aguardam acolhimento familiar, 66,38% são negros e pardos. Na região sudeste, a realidade é invertida. De acordo com dados do CNA, são 4027 crianças e adolescentes na lista de adoção, sendo 1.045 são brancas e 912, negras.
Ainda, de acordo com o diretor executivo, a morosidade da Justiça nos processos e a falta de profissionais no sistema afetam negativamente.
“A Justiça tem o lado que falta profissionais e isso dificulta que o processo seja mais ágil. Muitas vezes, a gente acaba culpando o pretendente pelo número de crianças dentro dos abrigos, mas a gente sabe que não é somente uma questão de perfil”, observa Maxwell Pereira.