O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, nomeou o delegado da Polícia Federal (PF) Fábio Alvarez Shor para o cargo de assessor no gabinete do ministro Alexandre de Moraes. A nomeação consta na edição desta terça-feira (10/3) do Diário Oficial da União (DOU).
Shor atuou em investigações que atingiram o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e aliados, incluindo apurações sobre a tentativa de golpe de Estado e os atos de 8 de janeiro de 2023, conduzidas sob relatoria de Moraes. Antes da nomeação, ele chefiava a Divisão de Investigações e Operações de Contrainteligência da PF. A transferência para atuar no gabinete do ministro havia sido solicitada previamente pelo próprio Supremo.
Peças enviadas pela PF ao STF em investigações envolvendo Bolsonaro trazem a assinatura de Shor. Em um ofício encaminhado ao tribunal em 2023, no inquérito sobre certificados de vacinação, ele aparece como subscritor da manifestação policial. O nome do delegado também consta em documentos ligados à investigação da tentativa de golpe, incluindo pedidos de medidas cautelares apresentados pela corporação.
A atuação nesses casos também o colocou na mira de aliados do ex-presidente. Shor passou a ser alvo de críticas de parlamentares bolsonaristas. Em agosto de 2024, a Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) divulgou nota de repúdio a declarações feitas pelos deputados Marcel van Hattem (Novo-RS) e Cabo Gilberto Silva (PL-PB), além do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), contra o delegado.
Hoje, Bolsonaro está preso após ser condenado pelo STF a 27 anos e 3 meses de prisão no processo que tratou da tentativa de golpe de Estado e da articulação para seguir no poder após as eleições de 2022. As investigações conduzidas pela PF, que tiveram a atuação de Fábio Shor, reuniram elementos que embasaram parte das acusações analisadas pelo tribunal.
Fonte: O Tempo.