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Sustentabilidade: entenda o que são os telhados verdes e saiba como eles podem amenizar impactos das chuvas

Coberturas verdes podem reter até 200 litros de água por metro quadrado

Publicado em 09/03/2020 às 18:41Atualizado em 18/12/2022 às 04:47
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Foto/Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press

Minas Gerais enfrenta inúmeros problemas causados pelo grande volume de chuvas. Os telhados verdes são um novo tipo de tecnologia e aparecem como alternativa para drenar a água da chuva.

A opção está sendo adotada em dezenas de imóveis de Belo Horizonte e funciona como alívio para a rede pública: o sistema capta a precipitação a partir de drenos e o líquido fica armazenado em tanques, que são usados na irrigação da grama que é plantada em cima.

João Manoel Feijó, engenheiro agrônomo que pesquisa e desenvolve produtos para drenagem urbana, estuda os telhados verdes e outras medidas semelhantes há mais de uma década. Segundo ele, os telhados verdes podem conter até 200 litros por metro quadrado. Além dos benefícios na drenagem da água da chuva, o equipamento contribui, de acordo com Feijó, para a redução no consumo de energia elétrica queimada pelo ar-condicionado, sempre vilão na conta de luz.

“Esse tipo de urbanização (obras de grande porte), geralmente, diminuem os terrenos e áreas permeáveis, ou seja, tudo fica impermeável. Isso tudo aumenta a quantidade de água que vai para os bueiros”, afirma o especialista, que presta serviços para a empresa Ecotelhado.

“Ao evaporar essa água, a vegetação plantada sobre os reservatórios consome o próprio calor, como se fosse um ar-condicionado, como a natureza faz mesmo. O que fazemos é renaturalizar a cidade. Os benefícios são muitos, além da drenagem urbana, combatemos o calor que tanto incomoda as pessoas”, explica. Outras vantagens apontadas pelo engenheiro agrônomo é o fato dos jardins embelezarem os ambientes corporativos e as residências que adotam a medida.

Na Região Oeste de Belo Horizonte, o prédio do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), localizado na Avenida Barão Homem de Melo, no Bairro Nova Granada, adotou a tecnologia em 2015. “Essa ideia surgiu durante a elaboração do projeto do prédio. Antes de acordar com a prefeitura o início da obra, a gente cumpriu algumas condicionantes e trouxe esse planejamento”, ressalta Mário Henrique de Oliveira, de 40 anos, analista do Sebrae, onde os jardins ultrapassam 900 metros quadrados e estão instalados entre os dois prédios da entidade.

Além do telhado verde, o prédio promove medidas que ajudam na drenagem de fluidos. Segundo o analista Mário Henrique de Oliveira, há uma caixa que abriga até 10 mil litros de água da chuva para irrigar os demais jardins espalhados pela estrutura.

Quando esse compartimento de 10 mil litros se enche, o líquido vai para outra pequena caixa, que retém a água da chuva e a solta em uma intensidade menor, ou seja, minimiza as enxurradas que alagam a Avenida Barão Homem de Melo naquela altura. “Na própria porta do Sebrae tem um ponto de inundação, pois a rua está num ponto baixo aqui. Então, toda essa estrutura de retenção de água ajuda não só o meio ambiente, mas também a infraestrutura da cidade”, destaca o analista.

Mais medidas

Quem nunca, ao andar pela cidade, se deparou com os muros vegetados, que são cercados de fora a fora por trepadeiras. Apesar de adotada muitas vezes pelo ponto de vista paisagístico, esse tipo de construção ajuda a reter muito mais água que os muros de concreto. É só um exemplo das inúmeras alternativas que podem ser adotadas pelo cidadão para que cidades fiquem menos marcadas pelas enchentes.

O engenheiro agrônomo João Manoel Feijó também ressalta os pisos permeáveis. Tratam-se de pequenas peças de plástico reciclado que são colocadas no chão, como se fosse um piso. Os fluidos penetram facilmente por entre elas. As pecinhas podem, até mesmo, ser cercadas por gramíneas para dar ao ambiente uma aparência mais favorável.

O tratamento de esgoto para reuso também é uma opção sustentável e que ajuda na drenagem de água, principalmente em edificações ocupadas por um grande número de pessoas. No dia a dia, a água que despejamos na rede pluvial tem duas classificações: os fluidos cinza e negros. A primeira subdivisão diz respeito às águas usadas, por exemplo, na limpeza de vasilhas e na máquina de lavar. Já a segunda é o líquido dos vasos sanitários, que depende de maior tratamento para ser reutilizado.

*Com informações Estado de Minas 

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