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Testemunha confirma ter dado roldana a Lindoval

Testemunhas ratificaram em depoimento ao juiz Habib Felippe Jabour o que falaram à polícia. O acusado Lindoval de Jesus acompanhou todos os interrogatórios na presença dos promotores e advogados

Gislene Martins
gislene@jmonline.com.br
Publicado em 03/08/2018 às 10:18Atualizado em 20/12/2022 às 13:35
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Com segurança reforçada, a Justiça realizou ontem audiência no processo que apura crime que tirou a vida da estudante de Medicina Virlanea Augusta de Lima, então com 28 anos. Guardas penitenciários usavam pistolas e até uma carabina, sem o registro de qualquer incidente durante a audiência – com nove horas de duração – na 2ª Vara Criminal de Uberaba.

Embora esteja preso, o réu Lindoval de Jesus Pereira, mestre-de-obras de 35 anos, não usava uniforme durante a audiência no Fórum Melo Viana. Quatorze testemunhas foram ouvidas, enquanto o réu foi interrogado ao fim dos trabalhos.

Lindoval ficou na sala de audiência durante todo o tempo, podendo acompanhar o depoimento das testemunhas. Embora pudesse solicitar a retirada do réu da sala de audiência, nenhuma testemunha fez tal pedido. Durante todo tempo exibiu semblante tranquilo, sem externar qualquer emoção, mesmo tendo à sua frente as ferramentas e a corda que estava amarrada ao corpo da vítima, com as quais pretendia mantê-lo no fundo do rio Grande, onde foi encontrado.

De inédito, a presença de dois promotores de Justiça participando da audiência, ou seja, Laércio Conceição e Eduardo Pimentel. O primeiro é o autor da denúncia que transformou o inquérito em ação penal, enquanto Pimentel é o promotor titular naquela vara criminal. Também participou da audiência o advogado Marco Túlio de Campos Silva, que se apresentou como assistente da acusação, representando a mãe da vítima.

Por sua vez, atuando na defesa do réu estava o criminalista Odilon Santos, que saiu da audiência reafirmando a condição de inocente de seu cliente e protestando, sob alegação de cerceamento de defesa. Ele queria que fossem juntadas aos autos duas carretilhas ou roldanas, sob alegação de que as mesmas “interessam à defesa, em busca da verdade real”, conforme ficou registrado na ata da audiência.

Das testemunhas ouvidas ontem, o depoimento mais importante seria de Rogério Cortes de Oliveira, amigo do réu e dono da casa onde Lindoval esteve na manhã do crime de 12 de outubro. Rogério confirmou declaração anterior, reconhecendo roldana amarrada ao corpo de Virlanea como sendo a que ele deu de presente ao amigo Lindoval.

Ao deixar a sala de audiência, todos concordaram que não surgiu nenhum fato relevante em relação ao que já se conhece. Entretanto, algumas diligências foram determinadas, ainda que sem maior relevância.

O juiz Habib Felippe Jabour determinou a expedição imediata de mandado de busca e apreensão do Monza vinho que o réu teria usado no dia dos fatos. Sabe-se agora que o veículo apreendido na época acabou liberado de forma irregular na delegacia de polícia, sem autorização da Justiça, quando o carro constitui em prova do processo. Outra providência determinada foi a requisição de imagens gravadas por equipe da TV Alterosa quando da realização de diligência de busca e apreensão na casa do réu no período em que o mesmo esteve foragido.

Conforme o promotor Eduardo Pimentel, o Ministério Público continua sustentando a mesma tese da denúncia, ou seja, que o mestre-de-obras seria o autor do crime, tipificado como homicídio doloso qualificado, bem como do crime de ocultação de cadáver. Pimentel também disse entender que, sob a ótica da promotoria, na audiência de ontem “foram produzidas provas que continuam sustentando a mesma linha de acusação”, deixando claro que não houve nenhum fato que pudesse ser caracterizado como surpresa negativa para o Ministério Público.

Acredita-se que no prazo máximo de 60 dias o processo esteja em condição de ser julgado, quando será decidido se o réu vai a júri ou será inocentado.

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