Ex-prefeito Anderson Adauto, José Luiz Alves e o então deputado Paulo Piau foram absolvidos em ação de improbidade administrativa por abuso do poder econômico
Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) leva para julgamento no mês que vem, recurso do promotor do Patrimônio Público, José Carlos Fernandes contra a decisão que absolveu o ex-prefeito Anderson Adauto Pereira, o ex-presidente do Codau, José Luiz Alves e o então deputado Paulo Piau Nogueira, em ação, de improbidade administrativa por abuso do poder econômico e da máquina pública nas eleições realizadas em 2006.
Em primeira instância, os três foram absolvidos em sentença proferida pelo juiz Timóteo Yagura da 5ª Vara Cível de Uberaba. Inconformado, o promotor de Justiça recorreu da decisão em segunda instância e o julgamento do recurso acontecerá no dia 22 de outubro pela 1ª Câmara Cível do TJ. O relator é o desembargador Alberto Vilas Boas.
No recurso de apelação, o promotor aponta que não há dúvida quanto o uso da máquina pública. Segundo ele, AA abusou de seu poder político como prefeito beneficiando as candidaturas a deputado de Paulo Piau (federal) e José Luiz (estadual). Além disso, a apelação destaca que as despesas com propagandas da Prefeitura - de agosto de 2005 a agosto de 2006 - somaram R$ 1.810.485,82, tendo passado de R$ 3.996,00 em agosto de 2005 para exatos R$ 649.840,14 em julho de 2006, sempre relacionando as publicidades às figuras de José Luiz e Paulo Piau.
Se condenados pelos desembargadores, os três estarão sujeitos à perda da função pública, suspensão dos direitos políticos pelo período de três a cinco anos e estarão proibidos de contratar com o Poder Público. Além disso, AA pode ainda ter de pagar multa civil de até 100 vezes o valor da remuneração recebida como prefeito e ainda arcar com as custas processuais em R$ 10 mil.
A ação é decorrente de denúncia feita no dia 26 de setembro de 2006 pelo então presidente do Sindicato dos Servidores Municipais de Uberaba, Mariano Leite, e seu vice, Lourival Bessa.
Na época, o então líder sindical denunciou que servidores municipais estavam sendo visitados em suas residências e recebendo convites para trabalhar como voluntários no dia das eleições, como cabos eleitorais dos candidatos apoiados por AA. Mariano Leite apresentou documentos que foram anexados ao processo. No dia seguinte, a Justiça Eleitoral expediu mandados judiciais autorizando buscas em diversos locais, sendo apreendidos pela Polícia Federal panfletos, questionários que eram preenchidos por servidores, lista com nomes de professores, entre outras provas.