Medo ainda impede muitas mulheres de viajar sem companhia, mas simples cuidados podem ajudar a vencer a barreira
As mulheres já conquistaram direito ao voto, ocupam espaço expressivo no mercado de trabalho e são destaque até na política nacional. Mas quando se fala em viajar, a ideia de se aventurar sozinha ainda é motivo de incerteza.
O principal ponto é o medo de estar em um lugar novo e desconhecido, totalmente sozinha. Mas é possível vencer a inseguranca com simples precauções. Como março é o mês das mulheres, a coluna hoje traz três conselhos para quem quer viajar e só não tirou o projeto do papel por falta de acompanhante. Afinal, lugar de mulher é onde ela quiser, mesmo que sem companhia. Pesquise bastante
Escolher o destino é o primeiro passo para começar a aventura, mas a decisão não pode levar em conta somente as fotos bonitas de pontos turísticos na internet.
Se a ideia é embarcar sozinha, busque detalhes sobre o transporte público na cidade, regiões seguras para se hospedar e relatos de moradores ou outros viajantes sobre criminalidade para saber de precauções a tomar quando estiver passeando.
Caso o destino seja internacional, estude também a cultura local para respeitar os costumes e evitar dores de cabeça durante a viagem. Além de sinal de boa educação, aumenta a segurança de uma mulher viajante solo.
Com todas as informações em mãos, organize o que é necessário levar na mala, defina a melhor opção de deslocamento, escolha seu hotel, organize um itinerário com atividades por dia e faça um orçamento médio de gastos.
Não esqueça também de pensar em um plano B seja para a questão de transporte ou mesmo para despesas extras que ocorrerem ao longo da viagem. Pensar nisso com antecedência dará mais tranquilidade para tomar decisões se for preciso. Seja econômica, mas de forma inteligente
Uma das maiores despesas para quem viaja sozinha pode ser a hospedagem. O custo para arcar com um quarto de hotel é alto e muita gente acaba optando por ficar em dormitórios compartilhados de hostel para economizar.
A decisão é válida, mas cuidado para não exagerar e apenas reservar a cama no hostel mais barato sem analisar a localização ou os detalhes sobre a estrutura.
Não adianta pagar baratinho por um hostel mega afastado e instalado em áreas de risco na cidade. Assim você vai se sentir insegura sempre que for sair. Também é furada olhar somente o preço e ignorar como são as instalações. Imagina chegar na acomodação e descobrir que os chuveiros não são separados por gênero? Pode ser bastante desconfortável entrar no box e ficar preocupada com quem estará do outro lado; ou topar com um rapaz de toalha ao terminar a ducha.
Então, faça escolhas para economizar se achar necessário, mas com prudência. Isso também deve fazer parte do passo sobre a pesquisa. Confira o endereço da possível hospedagem no mapa e verifique fotos/avaliações do local em sites como o TripAdvisor, onde viajantes de todo o mundo compartilham suas experiências com hotéis, restaurantes e agências de passeios.
Além disso, não abra mão de contratar um seguro viagem e garantir formas de se comunicar. Cortar esses itens não deve ser estratégia de economia. Fora do país, quando não tiver nenhum conhecido perto, o seguro viagem vai te oferecer suporte em caso de problemas de saúde e percalços com voos e bagagens. Já o celular conectado é a maneira mais rápida de falar com familiares se surgir alguma emergência.
Diga não à teimosia
Tem momentos que a intuição pode nos alertar de possíveis furadas, então por que não ouvir? Se algo acender a luz vermelha de alerta, não faça. Mude a rota.
Pense bem: não há motivo para insistir em entrar em uma trilha depois de topar no início com um grupo estranho e se sentir desconfortável. Mesmo que você tenha passado dias planejando, siga seu instinto. Deixe o passeio para outro dia, quem sabe até contratando um tour com mais pessoas para se sentir menos vulnerável.
Não vou tapar o sol com a peneira, o mundo é difícil para nós mulheres sim. Melhorou bastante, mas está longe do ideal e viajantes do sexo feminino ainda estão sujeitas a ameaças que vão além do medo de ser assaltada. Então, fique atenta e faça o possível para se proteger.
*Gisele Barcelos é uma jornalista viajante, apaixonada por pesquisar novos destinos e montar roteiros para aventuras pelo mundo afora. Além do conteúdo para o portal do Jornal da Manhã, é autora do blog Checklist Mundo e do instagram Checklist Mundo, onde compartilha dicas para ajudar todo mundo a viajar mais e melhor.