Perda de prazer, isolamento e dificuldade para tarefas básicas podem indicar necessidade de avaliação profissional
A tristeza faz parte da vida e pode surgir depois de uma perda ou de uma situação difícil. O que diferencia uma reação emocional passageira de um possível quadro de depressão é, entre outros fatores, a persistência dos sintomas e o impacto que eles passam a ter na rotina. A avaliação é do neurologista Lineu Miziara, que falou sobre o tema durante entrevista ao JM News.
Segundo o médico, a depressão não deve ser confundida com momentos de tristeza. Uma pessoa pode passar por um período de luto, por exemplo, e apresentar choro e desânimo sem que isso signifique necessariamente uma doença. “Primeiro, é importante dizer que depressão não é sinônimo de tristeza”, afirma.
O alerta aparece quando o desânimo permanece e a pessoa começa a perder o interesse por atividades que antes lhe davam prazer. Um dos sintomas associados à depressão é a anedonia, caracterizada pela redução ou perda da capacidade de sentir prazer. “Você está sentindo o que a gente chama de anedonia, falta de prazer na vida. Isso provavelmente é depressão”, explica.
A doença também pode se manifestar de outras formas. Alterações no sono e no apetite, mudanças de peso, baixa autoestima e falta de iniciativa podem aparecer ao longo do quadro, inclusive dificultando tarefas básicas do cotidiano. “Depressão muitas vezes cursa com autoestima muito baixa. Cursa muitas vezes com falta de iniciativa, até para tomar o banho”, informa.
Miziara ressalta que a depressão não deve ser vista apenas como uma questão emocional. Segundo o neurologista, o transtorno pode provocar repercussões físicas e está associado a problemas que afetam a saúde de maneira mais ampla.
O médico também chama atenção para os casos mais graves, nos quais o quadro pode evoluir para pensamentos relacionados à própria morte. Por isso, ele reforça a necessidade de reconhecer os sinais e buscar acompanhamento profissional. “É um quadro que pode ser muito severo e levar até ao suicídio”, alerta.
A busca por avaliação profissional é indicada quando os sintomas deixam de ser passageiros e começam a interferir na vida cotidiana. Perda persistente de interesse ou prazer, isolamento, alterações importantes no sono ou no apetite, baixa autoestima e dificuldade para realizar atividades básicas são sinais que merecem atenção.
Pensamentos relacionados à morte ou ao suicídio exigem atendimento imediato. Os sintomas apresentados não são suficientes, isoladamente, para confirmar um diagnóstico. A depressão deve ser avaliada e acompanhada por um profissional de saúde.