O secretário de Defesa, Mark Esper, disse que a ordem era capturar Baghdadi vivo, mas que o terrorista preferiu explodir-se ao ver-se encurralado
Divulgação
Misteriosa postagem de Donald Trump avisando que “algo muito grande havia acontecido” deixou o mundo em polvorosa para saber do que se tratava. Neste domingo, a Casa Branca confirmou que se tratava da morte do líder de um dos grupos terroristas mais violentos das últimas décadas, o Estado Islâmico. Pouco se sabia, até então, sobre o paradeiro Abu Bakr al-Baghdadi, nem mesmo se ele estava vivo.
Trump classificou a missão como "impecável" e "ousada" e afirmou que nenhum soldado americano foi morto, ao contrário do que aconteceu com os componentes do Estado Islâmico.
Contudo, para a surpresa de muitos, Trump deu muitos detalhes neste domingo, atitude pouco usual em operações sigilosas como essa. Um exemplo é o da morte de Osama bin Laden, em 2011, onde algumas partes da narrativa seguem pouco claras até hoje, como o local onde o corpo do líder da al-Qaeda foi colocado.
Trump afirmou que os primeiros relatos da inteligência sobre o paradeiro de al-Baghdadi começaram a chegar há cerca de um mês, com apoio crucial de fontes curdas. A localização exata, na região síria de Idlib, foi estabelecida há duas semanas, e Trump ficou sabendo dos detalhes na quarta-feira.
Por volta de onze horas da noite, pelo horário local, oito helicópteros decolaram de uma base no Oeste do Iraque com soldados e uma unidade canina, rumo à Síria. Aviões e navios deram apoio à parte terrestre da operação. Para tal, precisaram de autorizações para usarem o espaço aéreo de Turquia, Iraque e Rússia, mas sem dar detalhes sobre o que seria feito. A Moscou, os americanos apenas disseram que “eles gostariam” do resultado.
Os helicópteros foram recebidos a tiros ao se aproximarem do local onde o líder do Estado Islâmico se abrigava. Ainda assim, conseguiram pousar em segurança. Na sequência, de acordo com Trump, explodiram uma parede e entraram no complexo, onde “pessoas estavam se rendendo ou sendo baleadas e mortas”. Onze crianças foram retiradas e levadas com vida para um local não-revelado.
O secretário de Defesa, Mark Esper, disse que a ordem era capturar Baghdadi vivo, mas que o terrorista preferiu explodir-se ao ver-se encurralado.
Antes que pudesse ser capturado ou morto, al-Baghdadi correu para uma área subterrânea levando seus três filhos mais novos. Ainda de acordo com Trump, ele estava “gemendo, gritando e chorando” quando acionou seu colete-bomba, cometendo suicídio, matando seus filhos e fazendo o túnel desmoronar. O corpo ficou mutilado pela explosão, e os militares fizeram um teste de DNA para confirmar a identidade. Eles também inspecionaram o complexo, em busca de informações sobre o processo de formação do grupo, seu esquema de comando e indicações de possíveis novos ataques. Duas horas depois, retornaram para a base.
Segundo Trump, al-Baghdadi estava sob vigilância americana havia algumas semanas e missões foram abortadas antes do lançamento da operação bem-sucedida.
Segundo o conselheiro de segurança americana Robert O’Brien, os restos mortais de al-Baghdadi devem seguir o protocolo usado com Osama bin Laden, que teve o corpo atirado ao mar em 2011, seguindo recomendações de especialista em lei e rituais islâmicos.
*Com informações do jornal O Globo